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Existem quatro tipos de patologia que afectam o qi. Estes tipos de padrões, apesar de poderem parecer idênticos, reflectem, na realidade, maleitas diferentes.
Podem enumerar-se em vazio de qi, uma variante desta primeira que é o colapso do qi, a estase de qi e o qi epidémico.
O vazio de qi define uma diminuição da actividade visceral. É a própria energia dos órgãos que se encontra diminuída impossibilitando o cumprimento das suas funções energéticas. Nestes casos são comuns sintomas como suor espontâneo, astenia, esgotamento por esforço.
O colapso do qi é uma variante deste padrão e reflecte não a diminuição do actividade fisiológica dos órgãos mas sim a incapacidade do qi em se elevar. A sua capacidade ascencional encontra-se, portanto, afectada. Os sintomas costumam ser semelhantes pois existe astenia, esgotamento por esforço e suor espontâneo. No entanto, a incapacidade de elevação do qi, acaba por reflectir-se, na impossibilidade de manter os órgãos no mesmo local dando origem a ptoses, prolapso uterino, anal, etc… Nestes casos os sintomas de vazio de qi podem ser localizados ao contrário do vazio de qi, propriamente dito, cujas sintomas podem ser mais generalizados.
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Nos discursos de muitos praticantes da medicina chinesa é comum ouvir-se falar em Qi e em energia. A medicina chinesa é uma medicina energética. O qi é energia. Nós analisamos a realidade energética do paciente. Estes discursos vivalistas pouco ou nada têm a ver com o que realmente define a medicina chinesa ou o Qi. Num outro texto “Os Outros Tratam Sintomas, Nós Tratamos as Causas” eu expus alguns argumentos que contradizem este tipo de discurso. Também já publiquei os textos “O Discurso Esotérico da Medicina Chinesa: Quando o Pensamento Religioso se Sobrepõe a Uma Análise Crítica” onde critico muitas das abordagens esotéricas que se fazem dos conceitos da medicina chinesa.
Neste texto pretendo falar somente do que significa Qi. Este termo é extremamente difícil de traduzir se não mesmo impossível. Vários sinólogos tem traduzido Qi como ar, sabor, atmosfera, essência, espírito, temperamento, etc… O ideograma chinês para Ch´i significa “o movimento de uma substância invisível”. Isto nada tem a ver com o conceito de energia muito usado no ocidente. Tem a ver com a cultura vitalista que parece não querer desaparecer dos meios das medicinas alternativas.
Agora levanta-se, um segundo problema que consiste em compreender o significado do caracter (não reduzindo a tradução ao caracter esquecendo a importância do contexto na língua chinesa). Uma particularidade interessante do carácter qi é que ele também se refere a matéria. A sua base é o ideograma do arroz. Se o carácter qi pode descrever o movimento de uma substância invísivel, essa substância nunca é definida enquanto paranormal e possui uma base material. Mas se o leitor ainda não estiver convencido faça o exercício oposto. Pegue no termo energia e traduza para chinês ou para japonês. Não vai encontrar nem Qi nem Ki.<
São estas propriedades do caracter qi que me levam a discordar da LS quando afirma: «Uma vez que muitos termos da acupunctura, como Qi, não são observáveis estamos no domínio do sobrenatural.» Ao chamar a atenção para outros significados não observáveis e não sobrenaturais, como o ar – que como vimos era uma das possíveis traduções para o qi e muito mais correcta que energia - a leitora LS contrapôs:
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Tenho escrito bastante, tanto no blogue, como em alguns fóruns sobre o problema da tradução de alguns termos técnicos de Medicina Chinesa e a ideia errada que essas traduções nos podem dar da Medicina Chinesa. Num dos meus últimos textos escrevi sobre o ridículo que é traduzir yin por energia negativa num contexto de medicina chinesa. Num outro texto, ligado mas mais antigo, “Indignação “Energética”, falsos profetas e bolhas inflacionárias” critiquei discursos supérfluos e enganadores que tem como base a tradução errada de termos chineses. O termo que gere maiores discussões é a tradução de Qi por energia.
O texto da Indignação Energética desencadeou uma troca de opiniões nas quais gostei bastante de participar. Não falo sobre as trocas de opinião com o Marcos, assunto sobre o qual já escrevi e irei escrever no futuro. Falo sobre as trocas de opinião com a LS. Para facilitar a minha análise vou seleccionar pequenas partes das respostas de forma a explicar-me melhor. De qualquer forma, o leitor poderá sempre ler os comentários completos.
LS escreveu: “Tenho pena que não desenvolva mais o assunto uma vez que os chineses usam amplamente o termo energia e desiquilibrio energético”.
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O que me surpreendeu, e deu verdadeiro prazer, foi verificar a linguagem usada por esta fâ da medicina chinesa. É que, apesar de leiga, usou a terminologia técnica como não vejo muitos profissionais fazerem.
Falou especificamente do Qi e nunca entrou em traduções mais energéticas nem fundamentou o discurso em conceitos que não se sabe bem como se aplicam à prática clínica.
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Por várias vezes me expressei, em textos do blogue, contra a má tradução de determinados termos em medicina chinesa assim como relativamente a outras práticas, como sentir o Qi. Na realidade já escrevi a criticar esta prática. Neste artigo pretendo abordar o mesmo problema mas sob outra perspectiva. No fundo, defendo que sentir o Qi nos pontos de acupunctura e nos meridianos não é mais que condicionamento psicológico e vontade de acreditar aliado a uma ausência patológica de cepticismo informado.
Podemos dividir este artigo em 2 partes: (1) factos históricos, e outros tantos actuais, que levam a crer que sentir os pontos de acupunctura nada mais é que condicionalismo psicológico: (2) teorias e definição de experiências de algum interesse que, espero, demonstrarão o condicionalismo psicológico por trás desta prática.
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