5
Jan

Dentro da comunidade de medicina chinesa, no Ocidente, é costume definir-se o Qi “como uma energia” que circula por entre determinados canais conhecidos como meridianos. Cada meridiano é constituído por pontos de acupunctura. Estes pontos têm uma localização anatómica precisa e possuem funções clínicas especificas assim como indicações clínicas precisas.

Apesar do Qi ser um conceito abstrato que tenta definir uma determinada realidade clinica é visto por muitos terapeutas como possuidor de uma existência real e esotérica . Este último grupo de pessoas, regra geral muito dedicadas ao Qi Gong, aborda a medicina chinesa sob uma perspectiva mais esotérica e menos clínica (neste momento não vou entrar em discussões sobre o que se pode considerar real, seja numa perspectiva objectiva e cientifica ou numa perspectiva cultural).

O seu discurso apesar de se parecer com um discurso clínico (dentro da medicina chinesa) não é mais do que um discurso religioso onde Deus é trocado por Qi e uma data de novos conceitos esotéricos vêem à luz do dia. Normalmente, este grupo de pessoas, não aprecia uma abordagem científica da medicina chinesa e não gosta de colocar em causa as suas crenças (é isso que são) sobre a realidade energética do paciente. À primeira vista pode ser difícil distinguir uns e outros uma vez que a própria linguagem da medicina chinesa leva a enganos.

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Category : Ciência e Esoterismo | Blog
26
Set

Nos discursos de muitos praticantes da medicina chinesa é comum ouvir-se falar em Qi e em energia. A medicina chinesa é uma medicina energética. O qi é energia. Nós analisamos a realidade energética do paciente. Estes discursos vivalistas pouco ou nada têm a ver com o que realmente define a medicina chinesa ou o Qi. Num outro texto “Os Outros Tratam Sintomas, Nós Tratamos as Causas” eu expus alguns argumentos que contradizem este tipo de discurso. Também já publiquei os textos “O Discurso Esotérico da Medicina Chinesa: Quando o Pensamento Religioso se Sobrepõe a Uma Análise Crítica” onde critico muitas das abordagens esotéricas que se fazem dos conceitos da medicina chinesa.

Neste texto pretendo falar somente do que significa Qi. Este termo é extremamente difícil de traduzir se não mesmo impossível. Vários sinólogos tem traduzido Qi como ar, sabor, atmosfera, essência, espírito, temperamento, etc… O ideograma chinês para Ch´i significa “o movimento de uma substância invisível”. Isto nada tem a ver com o conceito de energia muito usado no ocidente. Tem a ver com a cultura vitalista que parece não querer desaparecer dos meios das medicinas alternativas.

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Category : MTC - TEORIA BÁSICA | Blog
24
Abr

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Escrevi um artigo a criticar o discurso supérfluo da acupunctura vegetal. Uma das coisas que critiquei foi a linguagem usada, em particular a tradução de Yin Qi como energia negativa e Yang Qi como energia positiva. Infelizmente parece que este tipo de traduções é dominante nos círculos brasileiros. Encontrei um texto, ainda mais ridículo, sobre acupunctura e religião (e sobre o qual irei dedicar umas linhas em artigo próprio) que também usa esta terminologia.

A forma como se consegue este tipo de traduções é simples. Primeiro traduz-se Qi como energia (ainda estou para encontrar um sinólogo de respeito que use esta tradução) e depois Yin como negativo. Logo ficamos com “energia negativa”, ou seja, Yin Qi. Esta pequena lógica matemática associada a uma profunda ignorância do pensamento e cultura chineses fazem com que estas traduções inundem o Google.
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Category : Ensino | Blog
26
Out

Por várias vezes me expressei, em textos do blogue, contra a má tradução de determinados termos em medicina chinesa assim como relativamente a outras práticas, como sentir o Qi. Na realidade já escrevi a criticar esta prática. Neste artigo pretendo abordar o mesmo problema mas sob outra perspectiva. No fundo, defendo que sentir o Qi nos pontos de acupunctura e nos meridianos não é mais que condicionamento psicológico e vontade de acreditar aliado a uma ausência patológica de cepticismo informado.

Podemos dividir este artigo em 2 partes: (1) factos históricos, e outros tantos actuais, que levam a crer que sentir os pontos de acupunctura nada mais é que condicionalismo psicológico: (2) teorias e definição de experiências de algum interesse que, espero, demonstrarão o condicionalismo psicológico por trás desta prática.
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5
Jun

Ciência e Empirismo

A Medicina Chinesa é uma Medicina Empírica. Não é uma Medicina Baseada em princípios científicos. Não é uma Medicina, ou não o foi até ao momento, sujeita ao método científico desenvolvido no Ocidente. Isto apresenta várias implicações: (a) as explicações que oferece não são objectivas sob o ponto de vista científico, logo não são reais, não tem validade e (b) no meio de algumas afirmações verdadeiras sob o ponto de vista clínico (ex: determinado ponto de acupunctura alivia determinada queixa) existem outras que são de todo falsas; o exemplo acima também serve para este caso.

Podemos, então, partindo destas 2 afirmações garantir que a Medicina Chinesa não tem validade? Podemos garantir que é vudu, puro e duro, que depende das crenças dos pacientes? Podemos partir do princípio que a Medicina Chinesa não tem nada para nos ensinar? Ou, ao provarmos que um determinado tratamento se verifica estamos a provar que a explicação apresentada é verdadeira? Neste capítulo espero poder discutir estas e outras problemáticas que se nos colocam ao analisar a Medicina Chinesa à luz da ciência ocidental.

Noutros textos podemos vislumbrar, muito por alto, como se pensa na Medicina Chinesa. Isto pode ajudar-nos a levantar questões e a procurar respostas para essas questões no decorrer deste texto.

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3
Jun

Existe uma ideia de que a acupunctura em MTC só é abordada à luz dos meridianos sem levar em conta a influência do Sistema Nervoso. Essa ideia é errada. Antes de tudo um passeio rápido por 2 exemplos históricos: (A) um dos maiores mestres chineses, Huatuo (50-150 d.C.) desenvolve os pontos extra huatuojiaji. Huatuo em honra deste mestre e jiaji que significa bilateral à coluna. Estes pontos são compreendidos de acordo com meridiano maravilhoso Du Mai mas na sua selecção já está bem definida a importância do sistema nervoso. De acordo com os textos históricos, este mestre desenvolveu técnicas de anestesia e cirurgia realizando algumas cirurgias abdominais; (B) nas dinastias Liao e Song, em 1350, os mestres Yangjie e Zangji, fazem descrições anatómicas precisas, a partir de autópsias, associando os troncos nervosos e vasos sanguíneos com os trajectos dos meridianos e colaterais.

Estes 2 factos são suficientes para se provar que os chineses tinham uma ideia da relação dos meridianos com o Sistema Nervoso Periférico e que também seleccionavam pontos de acordo com este último (desde hà quase 2 mil anos). No entanto, podemos especular, talvez devido à falta de conhecimentos e/ou métodos que lhes permitissem estudar o SNP com mais cuidado preferiram sempre manter a teoria dos meridianos. Á luz do conhecimento da altura era o melhor a fazer. A teoria dos meridianos permitia-lhes explicar os resultados clínicos e construir uma teoria satisfatória que explicasse esses mesmos resultados.

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1
Jun

Topografia dos Meridianos… Topografia do SNP

A minha ideia é esta. Os meridianos são exactamente aquela teoria que mais ajudava os chineses a explicar os resultados que observavam. Talvez a única explicação possível, na altura, para um sistema nervoso incompreendido. São especulações, tenho de admitir. Mas parecem-me as mais correctas.

Não pretendo maçar o leitor com descrições fastidiosas do SNP nem do sistema de meridianos. No entanto penso que será engraçado passear-mos um pouco por estes 2 conceitos e vermos quanto se assemelham… topograficamente falando é claro.

De acordo com a Medicina Chinesa os meridianos são canais por onde circula o Qi. Existem os meridianos regulares, maravilhosos, colaterais, etc… Também possuímos os meridianos tendino-musculares, principais e outros no que diz respeito à profundidade e influência dos meridianos em determinados tecidos ou órgãos.

Por seu lado os ramos nervosos não são mais que camadas de tecido conjuntivo que rodeiam os axónios dos neurónios. Os neurónios podem ser de vários tipos: aferentes ou sensoriais pois conduzem a acção para o SNC e eferentes ou motores fazendo, estes os percurso contrário. O potencial de acção é passado entre estes dois tipos de neurónios através dos neurónios de associação.

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