Decidi republicar este artigo devido a um novo artigo saído esta Sexta-feira no Diário de Notícias (9 de Outubro de 2009) intitulado “SNS faz 3000 consultas de acupunctura todos os anos” e sobre o qual irei publicar um artigo de resposta. Chamo também a atenção do leitor para outros artigos que abordam a problemática da inserção dos acupunctores portugueses no SNS e para a necessidade urgente da regulamentação, assunto que poderão encontrar bastante desenvolvido na categoria de MTC e Sociedade. Assim sendo relembremos o artigo original.
Venho aqui falar-vos de uma noticia que saiu no Expresso, dia 20 de Outubro de 2007. Versa a notícia sobre uma médica de família que pratica acupunctura. Esta senhora, vice-presidente da Sociedade Médica de Acupunctura Portuguesa, vem dizer a público que o Acupunctura deveria ser só feita por médicos. Apresenta para tal várias razões:
Em primeiro lugar diz que “É preciso saber fazer o diagnóstico”. Fala ela de diagnóstico de Medicina Ocidental ou de Medicina Chinesa? É que a Acupunctura como prática milenar que é da Medicina Chinesa é feita de acordo com o diagnóstico formulado por estes profissionais. O diagnóstico médico não inviabiliza a abordagem terapêutica da Medicina Chinesa. Caso contrário teríamos de nos perguntar como funcionou tão bem esta terapia durante milhares de anos. Um acupunctor não pretende fazer diagnósticos médicos, nem precisa.
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Este texto foi publicado dia 15 de Julho no blogue Zhenjiu, escrito pelo Alessandro. É um excelente blogue com assuntos variados e muito interessantes que eu aconselho ao leitor, especialmente, agora que vai fazer 1 ano de vida. Este texto não é da autoria do Alessandro mas sim do médico brasileiro Dr. Rodolfo Marcio Lapa Bontempo.
Em todas as sociedades se encontram lutas corporativas que pretendem dar poder a um determinado grupo sobre todos os outros. Por isso alguns leitores irão achar que este texto se adapta perfeitamente à Ordem dos Médicos portuguesa e, em particular, à acupunctura médica. O movimento e as ideias são as mesmas, só muda a nacionalidade. A única diferença que poderá encontrar entre estes dois países de língua portuguesa é que, em Portugal, ainda nenhum médico decidiu manifestar-se publicamente.
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Os meus leitores que me desculpem o desabafo, mas não consigo ficar sem escrever e sem exprimir a minha revolta face à hipocrisia médica. Espreitava hoje o meu blogue, e a publicidade que aparece no adsense quando dou conta de uma clínica em Alvalade que também oferecia tratamentos de acupunctura. Procurei informações sobre a acupuntura e dei de caras com um texto deplorável, bastante apreciado por médicos, e que denuncia mais a sua veia politica que humana.
Após a lenga lenga leiga e inculta do costume sobre as energias yin e yang e os desequilíbrios energéticos, surge uma parte que afirma:
“Ainda erradamente apelidada de medicina alternativa por pseudo profissionais, a Acupunctura não merece ser qualificada como tal, pelo aspecto depreciativo com que esse termo a rotula. Há sim, e apenas, MEDICINA.”(1)
Um termo usado pelo Marcos no seu comentário foi de técnicos. Mais especificamente afirmou:
“parece que os tecnicos em acupunctura tem vergonha de serem bons tecnicos, precisam usar o sombra do Dr(2)
Nesta afirmação estão subjacentes 2 problemas de grande relevância e poder de conflito. Um primeiro diz respeito ao uso do termo “técnico” e um segundo à necessidade de se associar o prestígio da profissão médica à nossa prática, como se ela não tivesse valor por si. Como o Prof.º (título pelo qual é mais conhecido!) Marcelo Rebelo de Sousa diria: “discordo do primeiro, concordo com o segundo”.
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Recentemente um leitor do blogue deixou um comentário a um dos meus textos intitulado « “Indignação energética”, falsos profetas e bolhas inflacionárias“. Apesar de não achar maldosos os comentários desse leitor, achei que se encontravam um pouco desenquadrados do texto. No entanto os seus comentários lembraram-me de escrever este texto, coisa que me lembrou e esqueceu várias vezes ao longo do tempo. Agradeço ao Marcos por me ter incentivado a escrever este texto ao publicar o seu comentário. Para facilitar a minha análise do problema decidi transcrever todo o comentário:
“É altura que as pessoas se assumam, e não engane os utentes . Uma vez por todas é a culpa exclusiva dos ditos Licenciados se intitularem DR e fazer a confusão com os Médicos, parece que os tecnicos em acupunctura tem vergonha de serem bons tecnicos, precisam usar o sombra do DR. Eu sou médico e tenho mestrado em acupunctura e assisto todos os dias esta situação !
TENHAM CORAGEM EM ASSUMIR QUE NÃO SÃO MÉDICOS PARA OS DOENTES!!”
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São várias as razões que me levam a defender que não é o problema científico, o verdadeiro dilema.
Em primeiro lugar, a acupunctura já foi introduzida no SNS e a Ordem dos Médicos nunca se opôs, nem catedráticos de Medicina se manifestaram contra. Isto porque a acupunctura foi introduzida, no SNS, por médicos. Falo dos médicos acupunctores.
Já aqui escrevi um artigo, ainda incompleto, sobre acupunctura médica e outro sobre uma entrevista com a vice-presidente da associação portuguesa médica de acupuntura, que o leitor poderá consultar.
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Num programa de televisão datado de 09-02-2009 chamado Sociedade Civil foi discutido a nova exigência da OMS que aconselhava os países a integrarem a MTC (Medicina Chinesa) nos seus Sistemas Nacionais de Saúde (SNS). O programa contava com a jornalista e 4 convidados. Um desses convidados, o Sr.º Antonio Vaz Carneiro defendia o ponto de vista da verdade científica na aprovação de qualquer tratamento que se pretendesse inserir no Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Tenho de admitir que concordo com a grande maioria dos argumentos do Dr.º Vaz Carneiro. A acupunctura é indicada para tudo sem haver provas irrefutáveis para quase nada. Como mencionado noutros artigos já ouvi dizer que a acupunctura consegue curar a fibromialgia em 2 sessões, que consegue eliminar por completo a dependência do tabaco em apenas 1 ou 2 sessões e outras coisas mais ou que acalma ataques de pânico pressionando alguns pontinhos no pulso.
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Pretende a Comissão Parlamentar de Saúde conhecer a posição da Ordem dos Médicos frente aos dois projectos de lei reguladores das medicinas não Convencionais. Na exposição dos nossos argumentos seguimos esta ordem:
1. Considerações gerais onde se coloca o problema, se refutam conceitos e afirmações, se debatem aspectos científicos e se aprecia o posicionamento de organizações internacionais.
2. Principais objecções aos projectos.
I – Considerações gerais
A defesa da saúde dos cidadãos é uma obrigação dos Estados de direito e das sociedades democráticas modernas. Essa obrigação consubstancia-se na exigência de rigor na qualidade dos serviços saúde prestados á comunidade, bem como na vigilância e protecção desses mesmos cidadãos frente a práticas não cientificas e Iesivas, por acção ou omissão, da sua integridade e do seu direito a uma saúde de qualidade. Para tal essas sociedades consideram ser necessário exigir aos profissionais da arte de curar, ou seja aos médicos, longos anos de formação cientifica e treino técnico e profissional, bem como um comportamento ético irrepreensível.
O que é a Acupunctura Médica? Por Acupunctura entende-se uma das terapêuticas provenientes da Medicina Chinesa e por Médica entende-se que a Acupunctura é feita com base no diagnóstico médico. Actualmente começa-se a falar da diferença entre acupunctura tradicional e acupunctura médica. No entanto estas diferenças são difíceis de compreender na prática clínica. As suas divisões são mais facilmente compreendidas quando levamos em linha de conta o interesse da comunidade médica em apoderar-se dos conhecimentos dos outros e protegerem simultaneamente o seu papel hierárquico dentro das ciências da saúde. Aquilo a que se chama Acupunctura Médica não é mais que uma forma de se misturar ciência com política.
Na acupunctura tradicional não se pode fazer acupunctura com base no diagnóstico médico. No entanto os médicos, com base no seu diagnóstico, podem fazer acupunctura tradicional. O que acontece é mais ou menos isto: a medicina chinesa diz que 2 ou 3 pontos são bons para tratar determinado sintoma (6MC para gastralgias ou vómitos, por exemplo). Alguns estudos científicos, comprovando o que é afirmado, demonstram que estes pontos são bons para aliviar queixas digestivas como gastralgias (dor de estômago), dilatação abdominal, etc…
Então, cada vez que os médicos diagnosticarem uma úlcera gástrica ou outro problema qualquer em que apareçam estes sintomas, podem usar estes pontos. E assim temos a acupunctura médica. Imaginem o que seria a medicina chinesa fazer o mesmo com a medicação ocidental ou outras técnicas terapêuticas da medicina convencional.
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