Quando os pacientes faltam

Vou fazer uma afirmação como se fosse uma descoberta incrível quando, na realidade, é simplesmente uma lapalissada. Os pacientes faltam. Os pacientes faltam às consultas. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência já aprendeu esta lição: os doentes faltam às consultas.

As razões que levam os pacientes a faltarem às consultas de acupunctura são variadas: desde viagens, compromissos profissionais, distracção ou pura e simplesmente falta de vontade. Regra geral os pacientes começam a faltar mais a partir do momento que a queixa deixa de ser tão relevante.

Quando um sintoma atenua e deixa de condicionar a qualidade de vida o paciente começa a virar-se mais para aquilo que define a sua qualidade de vida do que propriamente dito para o tratamento da sua queixa. Isto significa que pode ser mais vantajoso, no momento faltar à consulta de acupunctura e poupar algum dinheiro ou descansar um pouco mais após um dia de trabalho cansativo.

O verdadeiro problema não está na falta em si. Obviamente que para um acupunctor, não dar consultas é o mesmo que não receber e, como tal, tem importância a presença do paciente. Mas o verdadeiro problema é que os doentes, pura e simplesmente, não avisam que vão faltar.

Já me aconteceu (e ao leitor também, se for acupunctor) sair num dia com imenso calor, para dar uma consulta de acupunctura, e o paciente faltar à consulta. Já me aconteceu condicionar uma manhâ de trabalho para garantir uma consulta de acupunctura a um paciente que decide faltar… e não avisa. Pior: já me aconteceu não marcar consultas de acupunctura para determinados pacientes para atender outros pacientes que faltaram sem avisar.

É compreensível que o doente precise faltar à consulta. Mas é uma falta de respeito pelo trabalho do acupunctor que o paciente não avise. Como pode o acupunctor resolver este problema de forma assertiva?

Pessoalmente creio que a melhor resposta se encontra no modelo de funcionamento dos psicólogos. Os pacientes que recorrem às consultas de psicologia também faltam. Mas neste caso são obrigados a avisar com 1 dia de antecedência ou pagam a consulta (existem outras variantes mas aqui só vou usar esta!).

Em termos menos holistas e mais economicistas temos de encarar uma simples verdade: os pacientes pagam o tempo de consulta. Se os pacientes decidirem faltar, sem avisar, esse tempo não pode ser usado para outro paciente que dele poderia necessitar.

Estou a pensar em usar os métodos dos psicólogos nas consultas de acupunctura: o paciente é obrigado a avisar com 1 dia de antecedência, salvo determinadas excepções, ou então, paga a consulta.

O leitor enquanto acupunctor, aluno ou doente o que acha deste modelo?

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Comments

  1. Nancy Alves says:

    A meu ver este método só iria afastar os pacientes de vez.
    Nunca o pratiquei e nunca o irei praticar.

    É obvio que se vamos de propósito a uma clinica para dar consulta apenas a um paciente, e este falta, temos prejuizo na perda de tempo que não poderá ser aproveitado para outra consulta e despesa de deslocação, no entanto temos que nos habituar a isto, porque vai sempre acontecer… são ossos do ofício!

    Temos sim é que instruir os nossos pacientes a que tenham um maior cuidado e explicar as consequência de quando faltam… eles compreendem e raramente o tornam a fazer, pois vão se sentir mal ao saber que o acupunctor não está na clínica de forma permanente e que se desloca a esta de propósito para o atender.

  2. nuno lemos says:

    Também me coloco essa quetsão. Poderão os doentes decidir desistir das consultas devido à implementação deste método?

    Os psicólogos aplicam este tipo de técnicas, assim como muitos explicadores, e não aprecem ter grandes problemas. Também li relatos de acupunctores em países estrahgeiros que aplicam este modelo. Segundo um deles desde que se explique calmamente ao paciente não tem problema.

    Mas obviamente que existe o receio dos pacientes decidirem desistir. Eu vou começar a aplicar este modelo e a ver o que dá. Depois venho cá reportar as novidades.

    abraço

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