Poderia pensar-se que alguém externo (pessoa ou instituição), poderia avaliar os acupunctores portugueses. Quem poderia faze-lo? A OMS? As universidades chinesas? Que universidades chinesas? E os exames seriam semelhantes àqueles que muitas universidades chinesas fazem aos ocidentais? Exames simples e feitos de forma a comprar o ego aos alunos ocidentais?
Poderia pensar-se que a OMS seria um bom ponto de partida. No entanto a OMS tem lá acupunctores portugueses. Falo do Pedro Choy, por exemplo (já sei que é proibido falar deste nome para muitos acupunctores!) que tem interesses pessoais em garantir que esta regulamentação não vá para a frente. Não vamos ser cínicos a pensar que o José Faro, representante da acupunctura na comissão, é uma pessoa interesseira que só pensa no seu umbigo e o Pedro Choy é o santo da acupunctura, salvador da pátria e defensor altruísta dos doentes portugueses. Se os acupunctores portugueses querem democracia tem de saber largar os interesses pessoais e pensar nos interesses colectivos de uma forma transparente e honesta.
As universidades chinesas também não estão aptas para isto. Não que não tenham competências para o efeito mas porque os portugueses ainda estão muito perdidos nas lutas de interesses. Se for a Universidade de Beijing a fazer os exames, de certeza, que vão existir pessoas a dizerem que os exames foram feitos de forma a beneficiar alunos de instituições ligadas a essa universidade. Se for a universidade de Nanjing (que tem contrato com a OMS para ensinar e divulgar a Medicina Chinesa fora da China) de certeza que outros acupunctores se irão opor. Até porque esta Universidade tem contrato com a ESMTC, escola dirigida pelo actual representante da acupunctura na comissão de regulamentação, José Faro. O problema protuguês é interno, está relacionado com a falta de confiança social, por isso, muito dificilmente será resolvido com intervenções externas.
Outro problema, mas de mais fácil resolução seria a definição de currículo e matérias. Este é um aspecto diferente daquele escrito no actual modelo de regulamentação. Falo especificamente de problemas particulares como a localização de determinados pontos de acupunctura. Existem pontos extra cuja localização é diferente nas diversas escolas. Chamo a atenção para os pontos extra Dannangxue e Anmian, por exemplo. Na esfera da matéria médica chinesa também existem pequenas diferenças de classificação: drogas classificadas como tónicas de Yin, por alguns autores, são classificadas como adstringentes por outros. O diagnóstico também não escapa, existindo divergências na análise de determinados sintomas como é exemplo a insónia.
Creio que este problema é de fácil resolução porque seria simples para os representantes das diferentes escolas encontrarem-se a tratarem destes pequenos pormenores. Mas não descuremos este problema: num exame teórico a nível nacional pode significar a diferença entre passar e chumbar.
Com estes parágrafos acabámos de definir qual o perfil do avaliador em acupunctura: conhecimento, experiência e honestidade seriam essenciais. Acupunctores com experiência e conhecimento seriam mais fáceis de encontrar do que acupunctores honestos. Mais não seja porque a honestidade parte também da forma como é percepcionada pelo outro.
O José Faro considera-se uma pessoa honesta (e eu também já agora!) mas o que pensariam os alunos da APA-DA ou de outras instituições quando fosse ele a fazer o exame nacional? Será que iria beneficiar os alunos da sua instituição como é acusado actualmente? O Pedro Choy considera-se uma pessoa honesta (pessoalmente não o conheço!) mas se fosse ele a fazer o exame iria eu ter certas reticências quanto ao processo? Será que ele iria avaliar os alunos da mesma forma? Será que iria passar as perguntas aos seus alunos? Mais uma vez vem a falta de confiança. Poderia pensar-se em alguém que tivesse a formação necessária para a fazer e não estivesse ligado a nenhuma associação.
Esta ideia é utópica. E enquanto Jesus Cristo não descer à terra novamente (e aterrar em Portugal, de preferência) isso não vai acontecer. Os acupunctores estão interessados em pessoas particulares que acreditem irão estar mais aptas a defender os seus interesses do que em garantir uma regulamentação séria e credível quando esta os pode prejudicar. Os argumentos são voláteis e usados mais consoante as necessidades do que com a sua validade.