20
Jun

Este texto teve origem numa discussão no MTCforum. Decidi escrever este artigo de forma a dar aos interessados uma ideia uniformizada sobre aquilo que penso sobre um exame nacional de acupunctura, nos moldes actuais em que se processa a regulamentação da profissão. Não espero ser dono da verdade, mas acredito que será possível levantar ideias interessantes e construtivas para uma discussão mais alargada e profunda sobre este problema.

Um dos aspectos muito discutidos na regulamentação é a inexistência de um exame nacional igualitário que permita verificar os conhecimentos dos acupunctores, em detrimento de um sistema que analisa somente os conhecimentos daqueles cuja formação é inferior ao exigido pela regulamentação.

O que é preferível? Um exame nacional igual para todos aqueles que pretendem ser acupunctores? Um modelo que aceite de imediato aqueles cuja formação é idêntica ou superior ao exigido pela regulamentação e peça provas de conhecimentos a todos aqueles cuja formação é inferior? Ambos os modelos me parecem bons. Ambos possuem prós e contras.

Muitos acupunctores e estudantes de acupunctura preferem um exame nacional de acupunctura, para todos, na medida em que acreditam que os seus princípios democráticos seriam aplicados dessa forma. Sentem-se discriminados por terem de provar que possuem conhecimentos ao contrário de outros acupunctores, com outro tipo de formação. Continuam a sentir que essa é uma estratégia para beneficiar alunos de uma instituição que não conhecem e da qual desconfiam. Numa discussão no MTCforum foi escrito:

“uma regulamentação que divide os acupunctores em 2 – os que tiraram o curso na escola A, e os outros?”(1)

A questão da escola já foi debatida. A minha opinião é que ela é infundada, por várias razões. Em primeiro lugar, já foi bem explicado que a escolha do modelo foi condicionada pela necessidade de garantir autonomia profissional e uma classe responsável. Em segundo lugar já foi referido, por várias vezes, que o currículo escolar na ESMTC é muito mais exigente do que aquele exigido pela comissão (porque não colocar o currículo idêntico ao da ESMTC em vez de um mais fraco?). Em terceiro lugar, mesmo que a UMC (Universidade de Medicina Chinesa Dr.º Pedro Choy) ainda não tenha licenciados, sabe-se que o seu currículo se encontra dentro do exigido pela regulamentação. Portanto os beneficiados não se encontram numa única instituição.

No entanto, mesmo não tendo razão, esta afirmação e outras do género, demonstram o medo e a falta de confiança que muitos acupunctores sentem com este processo de regulamentação e estes receios são genuínos. O sentimento de discriminação, a sensação de desamparo por se encontrarem num processo que não controlam e que é sentido como negativo, são verdadeiros.

NOTAS

(1) http://mtcforum.net/bar/iva-e-acupunctura/15/

CATEGORIA : Regulamentação
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