Propostas e Contra-Propostas da Regulamentação: Resposta Pessoal ao Sr.º Pedro Choy – PARTE II
Comentar a proposta comentada
Face à complexidade e diversidade das matérias envolvidas, torna-se difícil, escrever tudo num único texto abrangente e facilmente compreensível. Nos textos passados sobre a regulamentação falei sobre a falta de coerência do Sr. Pedro Choy, do tipo de campanha pública que creio, em nada beneficiar a nossa futura classe e sobre meias verdades do processo de regulamentação.
Este texto pretende dar uma contribuição para a já longa troca de opiniões de vários profissionais do sector, em particular, focando atenção na fraqueza de alguns comentários colocados na proposta. Uma vez que os comentários são muitos, e alguns repetitivos, não irei fazer um estudo exaustivo dos mesmos, mas, somente, apresentar aqui os erros flagrantes cometidos pelos amadores que os escreveram.
Acredito ser crucial desmascarar aquilo que considero um trabalho de leigos com uma quase total ausência de honestidade intelectual, ainda por cima quando os erros apontados por essas pessoas chegam a ser classificados de muito PREOCUPANTES.
Dividi este texto em várias partes relativas aos tipos de comentários realizados. Assim temos:
1 – o problema da investigação;
2 – ausência de conhecimentos de MTC
3 – esoterismo e falta de tacto clínico
4 – Medicina Chinesa e outras profissões
5 – Capacidades do terapeuta e do paciente
6 – Falta de honestidade intelectual
O Problema da Investigação
Voltando à questão tão polémica (mas só na acupunctura) da investigação científica. Num ponto da proposta é proposto, na caracterização da profissão, em Actividades tipo: “Elaborar comunicações científicas e relatórios”. O comentário adicionado é:
“…o Acupunctor é um Clínico, deve saber tratar, não deve ser obrigado a competências de investigador, ainda mais é discutível se a acupunctura é científica[1]”.
Esqueçamo-nos, por uns instantes, que todos os cursos de saúde tem cadeiras de investigação, e que mesmo que o profissional não queira fazer investigação, esta faz, e deve fazer, parte da sua formação base. O mais grave, que denuncia uma falta de cultura científica, é a última parte da afirmação.
Saber elaborar comunicações científicas e relatórios nada tem a ver com a dúvida existencialista de saber se a acupunctura é científica. A questão não é se a acupunctura é científica mas sim saber se se pode usar o método científico para a estudar. Provar que algo funciona e mostrar como funciona são 2 coisas diferentes. Quantos estudos científicos, sobre acupunctura, não estão em formação? Quantos não foram já publicados?
A resposta é evidente para qualquer pessoa com um mínimo de formação científica. De acordo com o Sr.º Pedro Choy:
“Um técnico superior de saúde não pode ser obrigado a saber investigar, a maioria das clínicas não investigam e não são obrigadas a saber investigar para terem direito de exercer.[2]”
É evidente que há clínicas onde não existem projectos de investigação e nenhuma é obrigada a faze-lo para exercer. Mas ainda não conheci nenhum curso superior de saúde onde os alunos não fossem obrigados a saber investigar. Já agora, o que se entende por técnico superior de saúde? (Atenção à resposta, não vá ela ser demasiado imprecisa).
Ausência de Conhecimentos em MTC
A determinada altura é afirmado na proposta:
“1. Capacidade de realizar estudos e projectos de investigação
2. Capacidade de aplicar meios e métodos de prevenção e reabilitação”
Estes 2 items foram seleccionados e presenteados com o seguinte comentário:
“São competências de outras profissões que não a de acupunctor tais como as dos técnicos de reabilitação[3]”
Ficam realmente muitas dúvidas sobre as capacidades da pessoa que escreveu tamanho disparate. Deixarei algumas delas a pairar neste ar confuso da regulamentação:
1 – A capacidade de realizar estudos e projectos de investigação na área da acupunctura fazem parte das funções dos técnicos de reabilitação e não dos acupunctores?
2 – A acupunctura não tem métodos de prevenção e Reabilitação ou a pessoa que escreveu isto nunca estudou decentemente o problema sobre o qual decidiu divagar? Na realidade só o tratamento da Acupunctura pode ser usado preventivamente ou em reabilitação. Chegamos à conclusão que a acupunctura é da competência dos técnicos de reabilitação?
3 – Já agora, o que são técnicos de reabilitação? E também existem técnicos de Prevenção?
As pérolas da “douta ignorância” de alguns “acupunctores” tendem a brilhar mais na medida em que o tempo passa. Senão vejamos a seguinte passagem do processo de regulamentação: “Identificar a severidade da condição avaliando o nível de desequilíbrio e/ou de penetração do factor patogénico e integrar os sintomas dos sistemas fisiológicos a fim de identificar os sistemas e meridianos implicados e suas inter-relações”.
Os comentários não se fariam esperar:
“o tipo de linguagem a constar do perfil, afasta o nosso domínio profissional da linguagem própria das profissões de saúde acreditadas. Mais é subjectivo. Deve ser eliminado.[4]”
Na realidade a Acupunctura tem um tipo de linguagem que a afasta da linguagem própria das profissões de saúde acreditadas. Não há mais nenhuma profissão de saúde a falar de Vazios de Yin ou 4 camadas. Etc… Ainda contínuo à procura da subjectividade da afirmação uma vez que não a encontro. Talvez o autor pudesse dizer em que ela é subjectiva. Como veremos, quando o autor dos comentários refere que um conceito é muito vago, ou subjectivo, ou outra coisa qualquer, quer dizer, na realidade, que não sabe do que está a falar.
O conceito de Microsistema é um desses exemplos. O autor refere que este termo é:
“Conceito impróprio e vago. Com efeito o que se pode entender por “Microsistemas”?[5]”
Basta ir ao google e procurar “.microsistemas acupunctura”. Podemos encontrar um pdf do Sr.º Leonardo Monteiro, professor do IMT (Instituto de Medicina Tradicional) para perceber que um “Microsistema” são sistemas de acupunctura onde se representa o corpo numa das suas partes ou se pretende tratar uma vasta gama de sintomas a partir de uma pequena parte do corpo. Daí estarem incluídos nos Microsistemas a aurículo-punctura, a mano-punctura, a crâneo-punctura, etc…
Poderíamos achar bastante grave uma pessoa que se identifica como entendido na matéria não conhecer alguns dos seus conceitos base. Mas o pior ainda está para vir. A colectânea seguinte poderá ilustrara minha afirmação:
1 – Proposta:
“Identificação da Matéria Médica e Fórmulas Tradicionais Manufacturadas”
Comentário:
Impreciso e inadequado. Substituir por: “identificação da Fitoterapia Oriental”[6]”
2 – Proposta
1.3.4.8.2.Prescrição e Administração de Matéria Médica e Fórmulas Tradicionais Manufacturadas…”
Comentário:
Falta de clareza. Levanta dúvidas… o que entender por Matéria Médica”? Estes conceitos não são claros logo não serão entendíveis pelo cidadão comum.[7]”
Na página 38 do mesmo documento ainda é afirmado novamente que o termo Matéria Médica é um “conceito vago, não preciso, que levanta dúvidas.[8]”
Uma vez que este4s comentários foram escrito por leigos, creio importante, dar algumas definições base em MTC. Permitam-me, então, citar uma obra de referência:
“The Chinese Matéria Medica: The Chinese matéria medica… is a special subject for studying the theory on proporties os Chinese drugs, their producing áreas, collection, preparation, effects, dosage and administration[9]”
Substituir este termo pela “Fitoterapia Oriental” é que é um erro pois por fitoterapia entende-se o uso de plantas medicinais e a MTC também recorre ao uso de produtos de origem animal, como o corno de Rinoceronte, ou de origem mineral, como a hematite.
Verdadeiramente vergonhoso é ver pessoas que se dizem grandes entendidos na área sem saberem o que são microsistemas de acupunctura, ou ainda mais grave, considerando como vago e não preciso o termo de Matéria Médica. As únicas dúvidas levantadas não tem a ver com os termos usados mas com a credibilidade de quem os comentou.
Esoterismo e falta de tacto clínico
Nas reflexões de enquadramento da discussão pública parcial da proposta de regulamentação da Acupunctura é afirmado, pelos autores, que:
“Ainda, a proposta da DGS, peca pela falta de objectividade, por divagar entre metafísica e Filosofia subjectiva, roçando aqui e acolá o esoterismo, quando os profissionais de Acupunctura ambicionam e merecem, um enquadramento que acolha o mesmo respeito que as profissões de saúde de ensino superior.[10]”
Apesar de não conhecer a proposta a 100%, já a tinha lido e nunca encontrei nada que fosse demasiado esotérico. A única coisa menos correcta tem a ver com o uso abusivo que damos ao termo energético e, como veremos, verdadeiramente esotérico, para quem criticou esta proposta de regulamentação.
Só quando comecei a ler a proposta comentada é que reparei nos items que são considerados esotéricos. Vamos relembrá-los:
1 – Proposta:
“Recolher informações sobre os aspectos essenciais espirituais, culturais, sociais, económicos e ocupacionais de utente.”
Comentário:
“Substituir por “sócio-culturais e ocupacionais do utente, passíveis de influenciar a condição de saúde do utente.” Por aspectos espirituais podemos estar a entrar em considerações místico-mágicas que não fazem parte da acupunctura enquanto ciência da saúde[11]”
2 – Proposta
“Considerar as opiniões e crenças dos próprios utentes no momento de apresentar as opções terapêuticas”.
Comentário:
“Eliminar. O tratamento não é assente em dogmas ou crenças religiosas ou qualquer tipo de misticismo.[12]”
3 – Proposta
“Identificar o impacto dos factores emocionais, dos estados psíquicos, dos aspectos espirituais e culturais….”
Comentário:
”O Acupunctor deve orientar-se por critérios clínicos objectivos e não espirituais ou místico-mágicos…[13]”
Nestes 3 items, entre outros de disparates semelhantes, podemos ver o que realmente se compreende como uma abordagem esotérica da Acupunctura. No entanto, o que fica patente, nestes comentários, não é o suposto esoterismo do autor da proposta mas a total ausência de tacto clínico (e muito provavelmente de uma prática clínica devidamente acompanhada) do autor destes comentários (Dr.º Pedro Choy & Co.)
Na realidade não se fala de soterismo em acupunctura mas sim da necessidade de se compreender em como as crenças religiosas ou espirituais do paciente podem influenciar a vida dele e ter impacto na sua saúde assim como no tratamento proposto.
Exemplos ridiculamente simples podem ser encontrados em cada esquina:
1 – há pacientes que criam mundos espirituais como forma de negação da sua condição de saúde. Como poderemos abordar esses casos de forma a garantir que o paciente possa tratar-se?
2 – se fizermos aconselhamento dietético temos de levar em linha de conta as crenças dos pacientes. Não vamos aconselhar carne de vaca a um religioso hindu ou carne de porco a um religioso muçulmano.
Presumo que o Sr.º Pedro Choy só trate ateus. No entanto, é obrigatório relembrar, que a identidade religiosa de muitas pessoas é extremamente forte e tem implicações claras na forma como ela se comporta no dia a dia podendo estar relacionada com a sua saúde física e/ou mental. Considerar o doente nas suas diversas identidades (social, cultural, sexual, partidária, espiritual) e na forma como essas identidades se cruzam e influenciam o seu estado de saúde é uma das características holísticas da MTC.
E quando se fala de crenças não se refere unicamente crenças religiosas. Além de que o autor da proposta falou em crenças e opiniões. Como vamos fazer o paciente tomar fitoterapia quando ele se recusa a isso por não ter uma boa opinião sobre a matéria? Terá isso influência das opções terapêuticas ao nosso dispor? Uma pessoa com um mínimo de bom senso nunca teria escrito tamanhos disparates.
Para terminar gostaria de transcrever o comentário realizado num capítulo, um pouco extenso para ser reproduzido na totalidade, sobre serviços sociais:
“As funções acima descritas enquadram-se na profissão de assistente social que não é objecto desta regulamentação. O legislador parece pretender repetidamente que a acupunctura esteja conectada com posições místico-mágicas ou esotéricas.[14]”
Não vou falar aqui sobre serviço social, algo que chateia muito os comentadores desta proposta, mas devo chamar a atenção para 2 factos:
1 – informar as pessoas sobre métodos de vida saudáveis é serviço social. Também faz parte da prevenção pelo que creio que seja função dos “técnicos de reabilitação”.
2 – serviço social e conecções com posições esotéricas ou mágicas, ou outra coisa qualquer, nada tem a ver. Onde se encontra a relação dos serviços sociais com o esoterismo?
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 12.
[2] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 12.
[3] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 12.
[4] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 18.
[5] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 35.
[6] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 36.
[7] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 37.
[8] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 38.
[9] ZHIXIAN, Long; The Chinese Matéria Medica; Beijing University of Tradicional Chinese Medicine, ISBN 7-5077-1269-9; 1998, Beijing, pág. 1.
[10] Regulamentação da Acupunctura – Discussão Pública, pág. 3.
[11] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 17.
[12] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 20.
[13] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 25.
[14] ACUPUNCTURA Perfil e Caracterização, pág. 22.


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André says
[quote]“suposto esoterismo do autor da proposta mas a total ausência de tacto clínico (e muito provavelmente de uma prática clínica devidamente acompanhada) do autor destes comentários (Dr.º Pedro Choy & Co.)”[/quote]
[i]Nuno, no dia em que tiveres os anos de prática, os anos de estudo, o nível de formação, as provas dadas e testemunhadas pela comunidade mundial do mais alto nível e tiveres feito o que qualquer uma dessas pessoas de quem falas tão levianamente já fez, terás moral para dizer coisas dessas.
Barbaridades destas no teu texto mostram bem quem és e ao que vens e o porquê das interpretações continuamente deturpadas de tudo o que é dito neste assunto. Eu por mim terminei a minha discussão contigo. Serve-me de consolo saber que ninguém da DGS e dos Ministérios implicados baixará a níveis destes, assim como que estes textos inqualificaveis não terão qualquer tipo de relevância ou representatividade.
nunol says
Em Acupunctura currículo qualquer um tem. Vivemos numa comunidade onde todos os tratamentos funcionam com sucessos espectaculares e todos tem um currículo invejável… a nível da comunidade mundial ou outra comunidade qualquer.
Eu preocupo-me com os argumentos e quando alguêm com imensas provas dadas considera a Matéria Médica como um conceito vago e subjectivo, então, não tenho qualquer dúvida que essa ou essas, pessoas não sabem do que estão a falar. Inclusivamente, numa parte dos comentários, alguêm queria alterar a expressão de Matéria Médica por “ervas”.
Eu não deturpei nada. Até manti os originais para não me puderem acusar de deturpar nada. Se quiseres tornar coesa a tua afirmação diz-me onde eu deturpei as coisas.
Muitas pessoas podem bradar aos céus com os meus textos. Isso não me interessa. As minhas afirmações estão fortalecidas pela análise que faço.
A leitura que eu faço das críticas é simples: foram feitas à pressa por pessoas que não dominam conhecimentos suficientes no ramo e com uma falta de honestidade intelectual enorme. Mas os meus argumentos estão bem sustentados em todo o texto. É só isso que me interessa.
Também devemos atender a que este texto é da minha autoria e não tem de ter representatividade. Ele só tem a representatividade que as pessoas lhe dão por le-lo.
Por barabridades devo dizer que é um conceito vago, impreciso?
Abraço
Catarina says
Olá,
lá venho eu, desta vez ciente, comentar tópicos antigos……
Nuno, gostava que me esclarecesse em relação a 2 situações dos seus comentários aos comentários da proposta em causa: 1- É a favor de que os profissionais de acupuctura sejam obrigados por lei a fazer investigação? Isto porque eu tambem li a proposta e do que entendo quando mencionam a investigação não é em relação a ter cadeiras de estudo sobre investigação nos cursos de MTC ou Acupunctura. Pelo contrario, estamos a falar da regulamentação da PRÁTICA, logo, o que é sugerido é que os profissionais sejam obrigados pela regulamentação, a fazer investigaçao. É a favor de que qualquer um se veja obrigado a fazer investigação? Em outras areas da saúde podem ter cadeiras de investigação nos cursos mas não são obrigados legalmente a exercer essa investigação. Quem quer faz, quem não quer não faz. 2- Esta duvida é em relação ao conceito de Materia Medica. Pessoalmente nada percebo disso, para ja, mas a definição que colocou á disposição dos leigos como eu não me parece ter nada a ver com o conceito em que ela é falada na proposta de regulamentação. Na proposta parecem falar em Matéria Médica como algo que seria prescrito aos utentes, como fitoterapia, como “medicamentos”. Na definição que o Nuno colocou á disposição é descrita como uma DISCIPLINA que ESTUDA TEORIAS sobre drogas chinesas, de onde veem, em que consistem, o que fazem, etc. As duas coisas não são o mesmo. Pela definição que apresentou, a mim de facto parece-me que o termo materia medica é mesmo subjectivo e vago aplicado na regulamentação da prática de acupunctura, porque não se refere aos “medicamentos” propriamente ditos (as coisas a serem prescritas) mas sim á disciplina que os estuda, ás teorias por detrás dos “medicamentos”. Beijos e abraços.
nuno lemos says
Boas Catarina. Quando comecei a relembrar o texto reparei que poderia existir um erro de nomenclatura nos diferentes textos. Vou tratar dessa questão e amanhã tentarei responder-te a esta novo velho assunto que fizeste muito bem em levantar. lol
nuno lemos says
Boas Catarina, então vamos lá voltar à discussão sobre a regulamentação. Comecemos pelo problema da investigação.
Na pág. 6 do perfil e caracterização da ACUPUNCTURA, pág. 4 do original CTC é escrito:
“Ora, como refere a própria OMS, a Acupunctura caracteriza-se pela sua concepção holística, no sentido em que o homem é indivisivel e indissociável do seu meio e por um modelo de aboirdagem integrador de toda a actividade humana. A aprendizagem e interiorização adequada dos saberes teóricos e práticos que a fundamentam devem permitir ao profissional desta terapêutica dispor das ferramentas intrínsecas indispensáveis à sua autoformação e ao pensamento crítico e de investigação necessários à resolução de problemas de saúde em diferentes contextos da prática.”
A esta parte da regulamentação foi colado o seguinte comentário referente à investigação:
“não é obrigatório para o clínico fazer investigação para exercer com qualidade”.
É vidente que quando lemos esta parte fica patente que os autores dos comentários não tem grande noção do que falam. O contexto é muito simples. A afirmação “pensamento crítico e de investigação necessários à resolução de problemas de saúde” indica claramente a capacidade de investigação no sentido de definir os melhores tratamentos para os seus doentes. Imagine que recebe um paciente com parkinsosn que nunca tratou. Se calhar é bom começar a fazer alguma investigação no sentido de ver o que dizem os seus colegas com mais alguma prática ou não? Devemos entender que a proposta de regulamentação fala de investigação a vários níveis. Iremois agora analisar outros comentários e a necessidade da investigação cientifica.
Como vimos anteriormente há situações em que o acupunctor tem de fazer investigação para saber qual a melhor forma de tratar os doentes. No entanto, as partes citadas no meu texto dizem respieto a outra parte da regulamentação, apresentada na pág. 10 do original CTC.
Estes capítulos dizem respeito ao saber fazer/saber aprender/saber ser. Devemos dar atenção a estes pormenores.
Como menciono no meu artigo qualquer técnico de saúde é obrigado a saber fazer investigação. Isso não significa que a faça enquanto profissional. Mas é obrigado a saber faze-la. E sim, convêm ter a capacidade de desenvovler um pensamento crítico e de investigação. Ao contrário do que os autores da dos comentários afirmaram um técnico superior de saúde é obrigado a saber investigar.
Este aspecto é tão mais importante na medida em que as profissões de saúde actuais conhecem um desenvovlimento muito grande e são obrigadas a estar sempre na posse dos últimos conhecimentos. A acupunctura é actualmente uma matéria de grande investigação cientifica e seria realmente útil que os acupunctores começassem a dar-lhe mais atenção. Eliminar este item é colocar em causa boa parte do prestígio académico da profissão.
nuno lemos says
Agora vamos tratar dos termos técnicos da Medicina Chinesa. lol Isto são as transcrições usadas no artigo. Se recorreste a outras partes da proposta gostaria que indicasses quais para serem comentadas.
1 – Proposta: “Identificação da Matéria Médica e Fórmulas Tradicionais Manufacturadas” Comentário: Impreciso e inadequado. Substituir por: “identificação da Fitoterapia Oriental”[6]” 2 – Proposta 1.3.4.8.2.Prescrição e Administração de Matéria Médica e Fórmulas Tradicionais Manufacturadas…” Comentário: Falta de clareza. Levanta dúvidas… o que entender por Matéria Médica”? Estes conceitos não são claros logo não serão entendíveis pelo cidadão comum.[7]”
Identificação da Matéria Médica e Fórmulas Tradicionais Manufacturadas ou prescrição de Matéria Médica indica tão somente conhecer as propriedades das drogas, as suas funções, as suas indicações e saber aplicá-las seja isoladamente seja através do conhecimento das fórmulas tradicionais por exemplo.
Quando se diz para se substituir por fitoterapia está-se a usar fitoterapia como sinónimo de Matéria Médica.
Quanto aos “medicamentos” podes falar em drogas ou fórmulas (compostos de drogas). Mas as suas propriedades clínicas, a forma de preparação, o cultivo, etc… é tudo enquadrado na Mat+éria Médica. Se tu dizes que droga X ér usada para tratar sintoma Y é porque estudaste Matéria Médica. Podes ter-lhe chamado outra coisa qualquer mas a terminologia técnica da MTC diz-te que é Matéria Médica.
Algumas pessoas preferem usar o termo fitoterapia porque a maioria das drogas são de origem vegetal. Na realidade há quem chame ervas/plantas às drogas. Matéria Médica é mais correcto na medida que engloba as drogas de oriogem mineral ou animal, ao contrário da fitoterpia.
Quer gostemos, quer não, esta é a linguagem técnica da MTC e não vi nenhum contexto que me permitisse trocar os termos mais correctos por sinónimos menos correctos.
Espero poder continuar com esta discussão. Se tiveres mais alguma dúvida diz. lol
abraço