Problemas de investigação: protocolos personalizados ou fixos?

Problemas de investigação: protocolos personalizados ou fixos?


Recentemente houve uma discussão mais azeda no blog devido ao problema da investigação científica na MTC. Este artigo vai abordar parte desses argumentos, mais especificamente, o problema que aborda os protocolos fixos ou personalizados.

Muitas das críticas que têm sido feitas aos estudos científicos sobre acupunctura, é que estes se baseiam, principalmente em protocolos fixos e a acupunctura para ter sucesso tem de se feita com protocolos personalizados. Existem alguns pontos de discussão nestes casos:

Em primeiro lugar, estas críticas só aparecem quando as conclusões dos estudos não são do agrado dos acupunctores. Quando um estudo refere que a acupunctura não surtiu efeito no tratamento de determinada queixa a razão é simples: deveria ter-se usado protocolos personalizados. No entanto, provou-se que o ponto 6MC era bom no tratamento de vómitos ou enjoos em pacientes oncológicos sujeitos a quimioterapia. Protocolos fixos como o 6MC, 36E e 12VC mostraram ter efeitos clínicos observáveis no tratamento de vómitos e das gastralgias (dor de estômago). Como são possíveis estes resultados se a acupunctura só funciona com protocolos personalizados?

Na obra ACUPUNCTURA MÉDICA Um Enfoque Cientifico do Ponto de Vista Ocidental, editado por Jaqueline Filshie e Adrian White são mencionados diversos protocolos fixos que mostraram efeitos clínicos em estudos científicos. Muitos destes protocolos são retirados dos clássicos chineses, ou de livros actuais, desde o 6MC para vómitos ao 57B para tratar hemorróides.

No entanto o que ainda pode gerar mais confusão é a personalização do protocolo. Como todos os acupunctores sabem, ou deveriam saber, a acupunctura é maioritariamente sintomática. Ela trata (alivia) sintomas. Se pegarmos em qualquer livro de MTC e estudarmos as funções do ponto 2VB vemos que ele é aconselhado, essencialmente, para problemas auditivos como zumbidos, surdez ou dor. Se este ponto se encontrar num protocolo de acupunctura eu sei que o paciente vai apresentar uma destas 3 queixas.

Então será ou não útil assumirmos que um protocolo fixo poderá ter algum efeito clínico (pelo menos se a acupunctura realmente funcionar)? Eu posso pegar num conjunto de pontos sintomáticos (2VB, 17TA, 21TA, 8VB, 19ID) para zumbidos e verificar se os zumbidos realmente desaparecem ou são atenuados.

Caso eu faça esse estudo e conclua que a acupunctura é eficaz então não vai surgir problema nenhum. No entanto se as conclusões forem negativas, então, serei incompetente porque não compreendi como funciona a MTC. Vamos então falar um pouco sobre personalizar protocolos.

Regra geral, a acompanhar uma queixa principal (zumbidos, por exemplo) vem um padrão clínico. O padrão clínico consiste num determinado conjunto de sintomas ou sinais clínicos  que acompanham ou provocam este sintoma. Além dos sintomas podem existir factores causais (dor agrava com exposição ao frio, por exemplo). Os sintomas podem ser relacionais (suores nocturnos acompanham o aparecimento de zumbidos) ou causais (zumbidos surgem quando o paciente se irrita ou quando não dorme bem).

Vamos então supor que temos 2 pacientes com zumbidos e, em ambos eu encontro diferentes sintomas causais. No paciente Hegu, os zumbidos são desencadeados por estados de irritabilidade e no paciente Shufu, os zumbidos aparecem quando ele não consegue dormir. Se o acupunctor conseguir tratar os estados de irritabilidade no primeiro paciente e a insónia no segundo paciente (situações nas quais a acupunctura tem mostrado sucesso) então o mais provável é que os pacientes deixem de referir os zumbidos (os seus sintomas causais desapareceram).

Mas neste caso nós não tratámos os zumbidos mas sim outros sintomas que desencadeavam o surgimento de zumbidos. Podemos dizer que, em determinados casos, a acupunctura personalizada pode realmente ser crucial. Mas fica uma questão: será que a acupunctura alivia ou cura eficazmente os zumbidos? E o que aconteceria se o acupunctor tivesse tratado a insónia do paciente com um protocolo fixo? Seria considerado válido o tratamento efetuado?

Também surgem outras questões, extra acupunctura tradicional, mas que podem ser relevantes para se avaliar a real eficácia da acupunctura. Na Medicina Ocidental sabe-se que existem diferentes causas para os zumbidos. Os zumbidos podem ser provocados por traumas, por pontos gatilho, causas metabólicas, etc…

Existem questões que deverão ser colocadas. Por exemplo:

1 – qual a real taxa de sucesso no alivio dos zumbidos quando estes são provocados por hipertensão?

2 – qual a real taxa de sucesso no alivio dos zumbidos quando estes são provocados pela diabetes?

Temos de considerar a hipótese de diferentes causas dos zumbidos provocarem diferentes reacções aos tratamentos de acupunctura. Este é um problema que afecta toda a classe de acupunctores e classe médica uma vez que o diagnóstico é feito pelos médicos. Neste texto não vou abordar esse assunto que já foi abordado noutros textos e será mais desenvolvido no futuro.

Independentemente de considerarmos a necessidade, ou não, de protocolos personalizados, uma coisa é certa: pela MTC o protocolo fixo é um ponto de partida que serve para tratar o sintoma, ou seja aliviá-lo. E esta abordagem não é considerada como inválida em MTC, ela é considerada insuficiente, na medida em que o protocolo se deve dirigir ao máximo de sintomas que compoêm o caso clínico (sintomas associados ao padrão clínico juntamente com a queixa principal). Mas isso não significa que aquele protocolo fixo não tenha efeitos clínicos, de acordo com a MTC. Se os estudos concordam , ou não, essa é outra questão.

Seria difícil à MTC dizer se determinado ponto era bom para tratar determinado sintomas caso a punctura desse ponto não mostrasse sinais de melhora no paciente. Pela lógica seria útil supor que protocolos fixos apresentassem resultados clinicos positivos que seriam inferiores ao uso de protocolos personalizados. Mas deveriam existir resultados. Obviamente que a MTC é uma medicina experimental e, como tal, muitas das coisas que defende podem não ser realmente sustentáveis. É só uma questão de investigar.BannerFans.com
BannerFans.com
BannerFans.com

Artigos relacionados:

  1. Combinação de pontos e formulação de protocolos de acupunctura – Parte I
  2. acupuntura e tratamento de zumbidos
  3. Combinação de pontos e formulação de protocolos de acupunctura – Parte II
  4. Pontos para problemas uterinos
  5. Acupunctura e Música: analogias de um professor – PARTE II
  6. Apontamentos de Acupunctura Clínica I das aulas do Prof. Nuno Lemos de 22/03/04 da ESMTC – análise de protocolos
  7. Apontamentos acupunctura aulas do Prof. Nuno Lemos de 26/04/04 – análise de protocolos e combinações
  8. Direcção e informação: como analisar um protocolo de acupunctura 4
  9. Investigação científica e prática clínica – PARTE II
  10. Pressione pontos para obstipação II – acupuntura-acupunctura-acupressão

O autor

nuno lemos

Licenciado em Medicina Chinesa pela Universidade de Nanjing divido o meu tempo entre prática clinica, aulas e formações de acupuntura, escrita e mestrado em radiofarmácia.

7
  1. Rita says

    Olá Dr. Nuno,

    As minhas críticas aos estudos não se resumem ao uso de protocolos fixos ou personalizados, começam com a própria realização dos estudos, mas vou tentar manter-me dentro do tema do texto.
    Quando dizes “…estas críticas só aparecem quando as conclusões dos estudos não são do agrado dos acupunctores.”, isto para mim é óbvio e lógico. Quando aparece um estudo que conclui que, os resultados que obtenho na minha prática clínica são mera coincidência, porque provaram por A+B que os tratamentos que efectuei não têm resultado, só posso discordar. Não é por não dizerem o que eu quero ouvir, até porque eu prefiro quando ficam calados, mas sim porque dizem o contrário do que vejo.
    Quanto aos protocolos fixos ou personalizados, para mim é um bocado indiferente. As conclusões dos estudos apontam sempre para “A Acupunctura ajuda…” ou “A Acupunctura não tem qualquer efeito…”, nunca é “O protocolo A resulta, o protocolo B não resulta”. Isto, para mim, é a mesma coisa que testar a eficácia da medicina convencional no tratamento da lombalgia através de um estudo em que efectuem o tratamento com paracetamol. Se o paracetamol não aliviar, posso dizer que a medicina é incompetente no tratamento das lombalgias?
    Para mim, os estudos têm grandes problemas, começando pelos motivos pelos quais são realizados, e acabando nas suas doutas conclusões, que não podem ser menos que verdades absolutas, até aparecer outro estudo com uma verdade absoluta oposta à primeira. E isto não se passa apenas na medicina, com os seus medicamentos testados e estudados durante anos e anos, para depois serem retirados do mercado porque, afinal, os estudos não deviam estar correctos pois não corresponderam à realidade. Passa-se com toda a ciência que, constantemente se contradiz e, o que era ontem uma verdade absoluta, é hoje uma teoria absurda. Este mecanismo poderia não ser mau, eu sempre admirei as pessoas que são capazes de mudar de opinião, o problema é a “mania” da verdade absoluta, mesmo quando esta verdade contradiz a realidade. No caso da acupunctura, em algumas décadas passou de voodoo, a técnica terapêutica que até tem resultados em algumas situações, mas não passa de banha da cobra noutras. Há quem pense que foi uma evolução positiva, para mim, continua a ser um absurdo que as pessoas neguem evidências, apenas porque os estudos não o comprovaram, sendo certo que devem ter perfeita consciência que daqui a 50 anos vão ser consideradas ignorantes pela próxima geração de cientistas.
    Ainda podia falar do erro da separação da acupunctura da MTC, dos motivos das realizações dos estudos, das consequências dos resultados dos estudos. Também podia falar do teu discurso profundamente “ocidental” nos exemplos que deste dos pacientes Hegu e Shufu (boa escolha de nomes lolololol), para mim, não trataste os sintomas “irritação e insónia” que causavam os zumbidos, trataste sim a causa da irritação e da insónia que, vejam só, era a mesma causa dos zumbidos, mas isto já me obrigava a usar o termo “diagnóstico energético” lolololololol.
    Mas já fugi o suficiente ao tema do texto. lololololol
    Boa noite e bom 25 de Dezembro :)

    Responder

  2. nuno lemos says

    Dr. Nuno? Devo estar a subir na consideração de alguêm… lolololololol
    Olá Drª. Rita

    começando a responder (lolol):

    1 – quer queiramos quer não existe uma realidade objectiva e um método de análise objectivo. Não são raros os exemplos de factos cientificos totalmente opostos àquilo que percepcionamos no dia a dia. O estudo permite-te analisar de forma objectiva afirmações que de outra forma não podem ser analisadas. Eu tenho a certeza absoluta que imensa gente que faz exorcismos vê o diabo no corpo das pessoas, mas isso não significa que ele lé se encontre. Vou prescindir de todo o conhecimento cientifico e das provas em que se sustenta porque não corresponde à visão dessas pessoas? Por mais o que é que vês exactamente? Pacientes a tratarem-se com acupunctura, fitoterapia e medicina ocidental? Se tiveres 2 pacientes a tratarem-se com a mesma queixa e um deles tiver sucesso e o outro não, provavelmente, o outro vai desistir. Mas nós não contabilizamos essa desistência como insucesso. Por outro lado o ser humano tem tendência para se sobrevalorizar. Tratamos 10 pacientes mas referimos somente um caso onde o sucesso foi estrondoso. Eu ouço colegas nossos falarem de pacientes que trataram e fico parvo com os resultados. Mas esse tipo de casos são outliers. “1 ponto na orleha e a ciática desapareceu imediatamente”, “fiz os pontos shu e mum do rim e a minha paciente engravidou logo”, etc… Eu podia continuar. A grande maioria dos discursos e das descrições de curas nem sequer correspondem à realidade. É preciso ter cuidado com o que vemos, especialmente, quando estamos predispostos a acreditar em algo. Provavelmente vamos ver aquilo em que queremos acreditar.
    Concordo, até certo ponto, relativamente ao tipo de protocolo e às afirmações de determinados estudos. Mas esse é um outro problema.
    Relativamente às verdades absolutas da ciência e a estudos cintraditórios: se reparares isso é um contrasenso. Como podem as conclusões do estudos ser verdades absolutas se podem ser negadas por outros estudos? O mecanismo que referiste é exactamente o mecanismo que impede a existência de verdades absolutas… pelo menos sem estarem fortemente sustentadas em provas.
    E espero que não te cheteies comigo, mas a única pessoa que usou de verdades absolutas foste tu (lololol). Repara no que escreveste:
    “Este mecanismo poderia não ser mau, eu sempre admirei as pessoas que são capazes de mudar de opinião, o problema é a “mania” da verdade absoluta, mesmo quando esta verdade contradiz a realidade. ” Tu já sabes qual é a realidade à partida. De tal forma que nem dás crédito a formas de estudar e analisar tratamentos, formas essas que são mais objectivas e correctas que a verdade absoluta.
    As pessoas não negam evidências porque não foram provadas. As pessoas pedem-te que proves essas evidências para as levarem a sério. É muito diferente. Relativamente ao vudu acho que estarás a confundir argumentos cientificos com argumentos pró-lobbies, que são coisas diferentes.
    “para mim, continua a ser um absurdo que as pessoas neguem evidências, apenas porque os estudos não o comprovaram, sendo certo que devem ter perfeita consciência que daqui a 50 anos vão ser consideradas ignorantes pela próxima geração de cientistas.”
    Se daqui a 50 anos os cientistas de hoje vão ser considerados ignorantes é porque o método que usaram permitiu-lhes provarem novos factos acerca da acupunctura ou do seu funcionamento e não proque prescindiram do melhor método para o descobrir. Hoje podemos considerar os cientistas de há 50 anos atrás ignorantes. Sabemos muito mais que eles. Se não fosse o método cientifico, que nós tanto detestamos, achas que teríamos mais conhecimentos?
    Relativamente à ultima parte do texto: essa do “diagnóstico energético” foi para me provocar. Agora vou eu responder recorrendo à minha técnica favorita. Links para outros textos (lolololol):
    Relativamente à manipulação de termos chineses e de linguagem new age que nada tem a ver com a MTC aconselho:
    http://acupuntura.blogas-pt.com/o-que-e-o-qi/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/o-discurso-esoterico-da-medicina-chinesa-quando-a-religiao-se-sobrepoe-a-uma-analise-critica-i/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/o-discurso-esoterico-da-medicina-chinesa-quando-a-religiao-se-sobrepoe-a-uma-analise-critica-ii/
    Outros textos desta categoria também são interessantes, em particular a trilogia que fala sobre MTC e ciência:
    http://acupuntura.blogas-pt.com/category/4mtc-e-ciencia/ciencia-e-esoterismo/
    Já que estou embalado, aconselho também alguns textos relativamente a chavões clássicos da MTC que não querem dizer absolutamente nada:
    http://acupuntura.blogas-pt.com/os-outros-tratam-sintomas-nos-tratamos-as-causas/
    E agora 3 textos sobre a mutilação dos termos chineses:
    http://acupuntura.blogas-pt.com/yin-yang-versus-energias-positivas-e-negativas/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/qi-como-se-traduz-como-se-compreende/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/qi-como-se-traduz-como-se-compreende-parte-ii/
    Para quem quiser aconselho a dar uma olhadela nos diferentes textos da seguinte categoria
    http://acupuntura.blogas-pt.com/category/5mtc-e-sociedade/ensino/
    bjs e excelente ano novo….lolol

    Responder

  3. Rita says

    Olá gajo (está melhor assim? lololol)
    Vou directa ao assunto :)
    1- Dizes logo no início “quer queiramos quer não existe uma realidade objectiva e um método de análise objectivo”
    Que existe uma realidade objectiva, não discuto, mas se houvesse um método de análise objectivo, no que concerne à acupunctura, não estaríamos a ter esta discussão, pois não? Aliás, o problema é mesmo esse, definir o que é um método de análise objectivo. Protocolos fixos ou personalizados? Placebo, como? Etc…
    Até estar definido o que é um método de análise objectivo a utilizar nos estudos de acupunctura, não se pode falar de verdades científicas.
    2- Se eu tiver 2 pacientes a tratarem-se com a mesma queixa e um tiver resultados e o outro não, eu altero o protocolo do que não está a funcionar. E aqui, nunca nenhum estudo poderá retratar a realidade. Se um médico tiver 2 pacientes com enxaquecas e prescrever a ambos a toma de 1 comprimido de Migraleve de 12 em 12h, e só resultar com um deles, o que é que ele vai fazer? Concluir que o Migraleve não funciona (pior, concluir que a medicina não funciona??)? Ou será que vai dizer para tomar 2 comprimidos? Ou para tomar de 8 em 8h? Ou receitar outro medicamento?
    3 – Com essa da tendência para nos sobrevalorizarmos, devo concluir que, se tu obtiveres bons resultados no tratamento de uma patologia cuja ineficácia foi comprovada por estudos, vais concluir que tu é que és um espectáculo, e não que o estudo foi mal feito. lolololololol
    Quanto aos exemplos que deste, “1 ponto na orelha e a ciática desapareceu imediatamente” – por alguma razão ainda há pessoas que vão aos curandeiros “queimar a orelha” para tratar a ciática, é porque resulta. Claro que ao queimarem o ponto, só resulta 1 vez lolololol.
    O 2º exemplo gostei mais “fiz os pontos shu e mum do rim e a minha paciente engravidou logo” – não sei o que é que o teu colega costuma fazer às pacientes, mas acho que quando o Código Deontológico for aprovado, ele vai ter que deixar de o fazer. O pouco que sei de Biologia diz-me que ninguém engravida com agulhas de acupunctura, é sempre preciso mais alguma coisa, mas se o marido da paciente não se importa… lololololol. Agora a sério, é óbvio que damos mais importância aos casos em que temos maior sucesso, ou um sucesso mais rápido do que o inicialmente previsto, mas não vejo qual é o mal disso. Se fosses cirurgião, é óbvio que ias dar mais importância aos 3 transplantes de coração que fizeste, do que às 423 extracções de apêndices.
    4 – quanto às verdades absolutas… É precisamente isso que eu digo. O que tu apontas aos acupunctores, de não acreditarem nos estudos porque não dizem o que queremos ouvir (ou ler),é o mesmo que eu aponto aos cientistas. Se um estudo diz que um determinado protocolo de acupunctura não tem resultados no tratamento de um determinado sintoma, a “comunidade científica” depressa conclui que a acupunctura não funciona. Se o estudo indica que funciona, aí é preciso fazer mais estudos, este não estava bem feito, etc. Funciona para os dois lados. A grande diferença é que eu não vejo muitos acupunctores preocupados em transformar os estudos positivos em verdades absolutas, mas vejo a comunidade científica em transformar os estudos negativos em provas absolutas da ineficácia da acupunctura. Mas isto também deve ser só um problema de comunicação, é óbvio que eu também vou dar mais importância a quem me ataca do que a quem me defende.
    5 – “De tal forma que nem dás crédito a formas de estudar e analisar tratamentos, formas essas que são mais objectivas e correctas que a verdade absoluta” – Não dou crédito porque as formas de estudar e analisar tratamentos ainda não são objectivas e correctas. No dia em que os estudos conseguirem imitar a realidade dos tratamentos, mas em ambiente controlado e de forma contabilizável, terei todo o prazer em discutir os resultados dos estudos. Neste momento, por alguma razão estamos a discutir as metodologias dos estudos, e não os resultados.
    6 – “Se não fosse o método cientifico, que nós tanto detestamos, achas que teríamos mais conhecimentos?” – Eu não detesto o método científico, mas isso não significa que o método utilizado nos estudos sobre a acupunctura seja científico. Em termos teóricos, ainda não consegui vislumbrar como é que a teoria que serve de suporte à acupunctura se coaduna com as práticas científicas (felizmente essa tarefa não é minha, por isso, acredito que alguém há-de conseguir ter uma ideia brilhante). E continuo a achar que a comunidade científica olha para este assunto de uma perspectiva errada: se a MTC olha para o individuo como um todo, com todos os factores físicos, mentais, sociais e ambientais, esta mania científica de analisar apenas um factor, de fazer estudos sobre sintomas, (em que um sintoma é um sintoma, e o resto não interessa) em que o tratamento estudado é apenas uma das terapêuticas utilizadas pela MTC, é, para mim, uma forma errada de analisar a MTC. Para mim, esta postura apenas se justifica pela táctica de “Dividir para conquistar”.
    Mas, lá está, a comunidade científica não quer analisar a eficácia da MTC, apenas da acupunctura e, para mim, isto é logo um ponto de partida errado.
    Quanto ao diagnóstico energético, fica para a próxima… lolololol
    Bjs e que o novo ano te traga muito equilíbrio energético e Qi com fartura lolololololol

    Responder

  4. nuno lemos says

    Ora bem, Gajo já gosto. lololololol
    Então vamos lá directos ao assunto:
    1 – existem métodos objectivos de análise e existem estudos que obedecemn a todos esses critérios. Infelizmente quando concluem aquilo que não queremos ouvir chegamos à conclusão que não são objectivos o suficiente. lololol Esta é a questão. Neste caso, coloca-se a questão de saber se os protocolos fixos também deveriam apresentar resultados clinicos, uma vez que isso é afirmado pela Medicina Chinesa. Mesmo que os protocolos personalizados fossem mais eficazes deveria encontrar-se eficácia nos protocolos fixos. Efectivamente já se encontrou eficácia em alguns protocolos fixos e não noutros.
    2 – existem estudos com pontos inconstantes, ou seja, adaptados ao paciente e às suas necessidades ao longo do tratamento. Existem estudos, também, que não tem isso evidentemente. Mas é falso afirmar que os estudos não adaptam protocolos porque existem estudos que o fazem. Obviamente que nestes estudos, os pontos, muitas vezes não são descritos – se funcionar excelente, se não funcionar o acupunctor era incompetente. lolololololololololololol
    Outro factor importante: há sempre pessoas em que os tratamentos não funcionam, seja na Medicina Ocidental ou não. A questão é saber se funciona para um determinado número de pessoas de forma a ser considerado válido. Se esses medicamentos não funcionarem num paciente não significa que não vão funcionar noutro. Por isso os estudos são importantes, permitem uma análise objectiva desses dados. Com a acupunctura passas-se a mesma coisa.
    3 – o mal disto é o seguinte: tratas 10 casos, 1 deles teve um sucesso fenomenal, 2 tiveram pequenas melhorias e os outros 7 abandonaram o tratamento. Como é que vais descrever esse tratamento:
    a – péssimo porque 7 pacientes desistiram
    b – razoável porque tratei 1 doentes e tive poucas melhoras em 2
    c – excelente, coloquei as agulhas X e Y e o paciente apresentou logo grandes melhoras.
    A resposta que escolheres é a que vai definir a tua realidade e depois não te admires se os estudos disserem o contrário. lolololololol A questão é que tu crias a tua realidade a partir do sucesso e não do conjunto dos sucesso e dos insucessos e de uma forma isenta e objectiva que permita a outros comprovar. Se eu fosse cirúrgião cardíaco a questão que deveria colocar era: em 400 cirúrgias cardíacas só sobreviveram 3 pacientes? Se calhar anda alguma coisa errada na minha prática. lololololololololololololololol
    4 – a comunidade cientifica não diz de imediato que não resulta se não obtiver resultados. Diz-te a mesma coisa se obtiver resultados, porque há sempre a necessidade de comparar os nossos resultados com equipas independentes. Os estudos que mencionas e tem uma maior valor, quase definitivo, tem a ver com meta-análises que são análises de outros estudos já feitos de forma a poderes ter uma amostra maior. Por vezes consegues obter dados através de meta-análises que de outra forma não seriam perceptiveis. Mas nem isso significa o fim dos estudos, pelo que fica sem efeito o teu argumento. Os acupunctores não transformam estudos positivos em verdade absoluta… o que esses estudos concluiram já era verdade absoluta antes dos próprios estudos serem feitos. E o mesmo se passa com os estudos que dizem o contrário… estão mal feitos, porque não estão de acordo com as verdades absolutas da ciência.
    5 – o facto de discutirmos as metodologias dos estudos não implica não levar em linha de conta os resultados passados. E sim, já existem metodologias bem desenvolvidas para se investigar a acupunctura. Não digo com isto que não existam estudos mal feitos. Existem, efectivamente. Mas também existem estudos bem feitos e metodologias bem delineadas. Isto não significa que não se continue a discussão acerca da metodologia. De futuro irei publicar um resumo sobre qual é a metodologia aconselhada.
    6 – levantas outrso problemas. O método usado é mais que cientifico e segue todos os princípios da investigação cientifica. É o mesmo método usado para estudar a Medicina Ocidental e segue as mesmas regras estatisticas usadas em todos os estudos cientificos.
    A teoria que serve de suporte teórico à acupunctura nem sequer é real. O Qi é um conceito abstrato e os meridianos são construções teóricas que se adequam ao tratamento dos pacientes mas provavelmente não possuem sequer existência real. A sua própria história indica que são mais convenções – com utilidade clinica sem dúvida – do que estruturas reais.
    A Medicina Ocidentasl não analisa somente um factor. E nem é a Medicina ociedental que está aqui em causa. É o método de análise cientifica, neste caso, o reducionismo. O reducionismo pode ter os seus defeitos e as suas limitações mas é excelente para nos mkostrar se algo funciona e como funciona. Foi através deste modelo que descortinámos os possíveis mecanismos de funcionamento da acupunctura no tratamento da dor. Obviamente que também sou a favor de estudos mais funcionais. Por exemplo: a acupunctura por ela pode apresentar resultados baixos no tratamento de um sintoma, mas associada à fitoterapia pode apresentar resultados excelentes (em muito superiores ao uso isolado da fitoterapia), por exemplo. É uma possibilidade. Mas uma coisa é saber se a acupunctura mais algumas coisa ytem sucesso, outra é saber se a acupunctura isoladamente tem sucesso.
    E não é verdade que a comunidade cientifica não queira investigar a eficácia da MTC. Existem estudos onde se associam diferentes tratamentos de MTC – por exemplo, já li estudos onde a acupunctura era feita simultaneamente com aconselhamento relativamente a hábitos de vida e há bitos alimentares de acordo com a MTC. E os estudos sobre a matéria médica chinesa e a classificação de drogas e sua eficácia tem sido grandemente desenvolvida.
    Acho que acabei. Estou cansado. lololololololololololololol
    Bjs e pouco equilíbrio energético…lololololololoo
    PS: deves querer mais alguns links.lololol

    Responder

  5. Rita says

    Olá Dr. Gajo,
    (espero que esteja tudo bem contigo, etc.)
    1 – Se já estão definidos os métodos de análise, então não tenho mais nada a discutir. lolololol. Façam os estudos com base nesse método, e depois logo se vê os resultados. Quanto aos protocolos, sim, os fixos e sintomáticos devem apresentar resultados provisórios, os personalizados devem apresentar resultados mais duradouros. E não acredito que era apenas isto que deveria ter dito no 1º comentário lololololol.
    2 – E qual é o número de pessoas que torna o tratamento válido? No caso dos medicamentos sei que é o número de pessoas que vai tornar a sua comercialização rentável, não vou gastar milhões a produzir um medicamento que só tem efeito em 2% dos pacientes, por muito bom que seja esse efeito. E devo dizer-te que, se eu fizesse parte desses 2%, não ia gostar nada disto. Na acupunctura, qual é a percentagem mínima de sucesso? 50%+1? E aqui levantas mais uma situação que me incomoda. Se fizerem um estudo a testar a eficácia da acupunctura num qualquer sintoma, e apenas 10% da amostra obtiver resultados, o estudo vai concluir que não funciona. Então? qual é a justificação para ter funcionado nos 10%? Isso já não interessa? Então qual a necessidade do estudo? É só para os profissionais saberem se os seus resultados estão dentro da média? “Os estudos dizem que a acupunctura trata 80% dos casos de enxaqueca, até agora tenho sucesso em 90% dos casos. Isto está a correr bem!!”
    3- Bem, vou partir do princípio que os 7 pacientes que desistiram o fizeram por não estarem a obter resultados lolololol
    Iria concluir que a causa da queixa principal é importante na eficácia do tratamento, se a causa fosse comum a esses 7… Não sei, cada caso é um caso. Manda-me 10 pacientes com a mesma queixa que eu depois digo-te lolololololol
    Quanto ao caso do cirurgião, se essas 3 sobrevivências te colocarem com uma percentagem de sucesso superior à estatística, é perfeitamente natural que te congratules e recordes esses casos. Caso isto não aconteça, é também natural que te recordes desses 3 casos, como gajos de sorte que sobreviveram às tuas mãos lolololololol
    4 – Exactamente, o estudo só estará bem feito quando comprovar que a acupunctura funciona lolololololol. Se se preocupassem mais em compreender porque é que a acupunctura funciona, os estudos não seriam necessários. Para mim tudo isto vai acabar com a ciência a perceber e comprovar o mecanismo de funcionamento da acupunctura, a arranjar termos diferentes para definir Meridianos, Qi, Xie Qi, etc, mas a dar razão à forma de pensar. Claro que não acredito que ainda vá cá estar para ver isto.
    5- Nada mais a dizer, venham lá os estudos feitos segundo a metodologia científica apropriada para o teste da eficácia da acupunctura.
    6 – Se o método usado é mais do que científico, então qual é a dúvida? Contra factos não há argumentos. Façam mais estudos, meta análises a esses estudos, e pronto. Venham lá as percentagens de sucesso da Acupunctura :)
    Desculpa lá, mas a teoria é real, existe há uns milhares de anos e tu aprendeste-a, logo, ela existe lolololol. Se acreditas na teoria, ou se a veracidade da teoria se vai comprovar cientificamente, isso já é outra história. É óbvio que foi uma teoria criada com base na observação e com os meios disponíveis na altura. Qi é só um nome. Um nome encontrado para definir algo que um dia a ciência vai conseguir encontrar e explicar. Quando o Lavoisier disse “Na Natureza, nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma.” disse uma coisa extremamente inteligente. Quando os chineses o disseram, uns tempitos antes, foi estupidez porque usaram o termo Qi? Compreendo perfeitamente que sejas alérgico ao uso menos próprio que se dá aos conceitos de MTC, a mim também me chateia, mas isso não justifica o ataque aos conceitos. Mas isso discutimos noutro texto, quando eu conseguir ler todos os links que aqui puseste lolololololol.
    Eu falei da mania científica analisar apenas um factor, não estava a falar da medicina ocidental, mas se quiseres críticas à medicina ocidental, também se arranjam lololololol. Mas eu estava a falar dos estudos, que dividem a MTC e que têm como objecto o tratamento de um sintoma. Mas, como as regras de realização de estudos científicos credíveis e objectivos já se encontram bem definidas, então este problema já não se deve colocar ;)
    Bem, perante o teu desejo do meu desequilíbrio energético, terei que declinar os teus beijos!!!!
    Mas mando-te um abraço, o contacto físico pode fazer com que o teu Qi equilibre o meu, isto numa visão mais reikiana da coisa lolololololol
    PS – Não quero mais links porque já conheço todos os teus textos, mas podemos ressuscitar alguns

    Responder

  6. nuno lemos says

    Boas Dr. Gaja. Estou a ver que os comentários a este texto vão ser maiores que o próprio texto. lololololololol Então vamos lá ganhar coragem:
    1 – “Quanto aos protocolos, sim, os fixos e sintomáticos devem apresentar resultados provisórios, os personalizados devem apresentar resultados mais duradouros. E não acredito que era apenas isto que deveria ter dito no 1º comentário lololololol.” Praticamente. A questão é que existem estudos a dizer que os protocolos fixos são bons para tratar um determinado problema e outros não. Quando os estudos concluem pela negativa então estão mal feitos e deveriam ser personalizados. lolololololol Isto já parece a história da galinha e do ovo, mas desta vez a galinha é maluca e quer entrar no ovo pelo que não sei qual apareceu primeiro. Quer dizer: como pode a galinha querer entrar no ovo se este ainda não existe? Mas sem galinha maluca quem pos o ovo? lololololol
    2 – A percentagem de sucesso é idêntica para todos os estudos. Ninguêm aprova um medicamento porque este teve sucesso em 2% dos pacientes. Isso fica abaixo do acaso. lolololololololol A necessidade dos estudos deve-se ao facto de precisarmos informar os doentes sobre os tratamentos que realmente funcionam, com que percentagem de sucesso, que alteraçºões de sucesso devermos esperar consoante outras variantes como usar acupunctura sem matéria médica, ou resposta de diferentes grupos etários aos tratamentos, etc….
    3 – a questão do 7 pacientes é esta: na prática clínica eles vãos er vistos como desistentes e não vão contar para a estatistica. Num estudo eles, se ficassem até ao fim seriam contados como insucessos. Em 10 pacientes, num estudo terias 30% de sucesso enquanto que a tua experiência profissional te daria um sucesso de quase 100%. Esta é a diferença. E já agora: se eu fosse cirúrgião cardíaco acho que nem 3 pacientes conseguiriam sobreviver. lololololololol Acho que só me deixariam entrar num bloco operatório se fosse lá como doente. lolololololol
    4 – mas já existem imensas teorias e estudos a mostrar os mecanismos fisiológicos através dos quais a acupunctura funciona. Sabemos que tem relação com o sistema nervoso, endócrino e imunitário. Os melhores termos diferentes para designar meridianos são nervos. lolololololol E muito dificilmente Qi será um conceito cientifico. Para o ser tem de ser objectivável e falsificável. É assim que a ciência funciona. Nem os chineses o criaram enquanto termo cientifico. O problema nesse caso é mais cultural que cientifico. lololol
    6 – relativamente à teoria: uma teoria não é real porque alguêm acredita nela há milhares de anos. Presumo que os seuses no Olimpo tenham tido uma existência real enquanto tinham pessoas a acreditar neles. lolololol Depois deixaram de existir. Para mim a teoria é útil e clinicamente válida mas não é cientifica. Duvido muito que alguêm consiga provar cientificamente a existência de meridianos tal como estão descritos na MTC. Mas o melhor é mesmo ler os seguintes textos (desculpa…lolololololol):

    Responder

  7. nuno lemos says

    Continuando – houve um pequeno problema e isto desligou-se – lololol:
    http://acupuntura.blogas-pt.com/como-surgiram-os-meridianos/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/meridianos-e-historia-implicacoes-na-actualidade-parte-i/
    http://acupuntura.blogas-pt.com/meridianos-e-historia-implicacoes-na-actualidade-parte-ii/
    Quando escreves:”Um nome encontrado para definir algo que um dia a ciência vai conseguir encontrar e explicar”. Parece-me que andas há procura do Santo Graal. lolololololol Não achas estranho que tanta gente consiga sentir o Qi e dizer inúmeras coisas acerca do mesmo e a ciência ocidental ainda não conseguiu provar a sua existência? Estás a cometer o mesmo erro que os cientistas que andam há procura de termos como Qi, Yin ou Yang num qualquer laboratório ou o mesmo erro para quem esses termos representam “energias” desconhecidas para a ciência ocidental. São termos abstratos, funcionais, tem lógica adaptados a um determinado contexto mas não tem lógica enquanto “entidades concretas”. O Qi não tem de ter uma existência real. Não há nada nos textos chineses ou no conhecimento cientifico actual que leve a crer nisso. As teorias ou os conceitos chineses não são feitos para terem uma existência real mas para descreverem uma situação real. É diferente. Por isso, ao contrário da cultura ocidental, nunca se deram ao trabalho de explicar as coisas objectivamente, tal como acontece na ciência ocidental. Um exemplo histórico: não achas estranho que tendo realizadas tantas autópsias os chineses se tenham sempre mantido com um sistema de órgãos que não é real? Porque achas que nunca se preocuparam em encontrar o órgão Triplo Aquecedor?
    Relativamente ao resto tem a ver com o que falei entre fazer uma abordagem mais reducionista ou funcionalista. Pessoalmente acho que são as duas necessárias. lololololol
    Sim, senhora, gostei dessa do abraço. E já agora: esse abraço é feito pelo telefone ou não? Acho que também se pode fazer reiki pelo telefone. Se sim diz-me o teu número que é para ir comprar acções da empresa de telemóveis. lololololololol
    beijão com ou sem reiki e bom ano novo

    Responder

What do you think

show toolbar
hide toolbar
Background
1. Select Color


2. Select Pattern Overlay

Wider Slider

Be sure to check out our custom Theme Team Full Image Slider.


View