Ganhar dinheiro com a venda de fitoterápicos – parte III
Qual a minha prática no dia a dia?
Depois de escrever sobre a venda de suplementos alimentares e a corrupção que se pode gerar à volta dos mesmos, acho que seria intelectualmente desonesto se, pelo menos, não descrevesse a minha prática.
O que eu faço, relativamente a este problema, depende muito das clínicas onde dou consultas. No Gabinete de Saúde, estou muito limitado a um determinado conjunto de fórmulas e não tenho lucro nenhum da venda das mesmas. As fórmulas a usar no Gabinete foram determinadas pela direcção da Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa (ESMTC).
Na Clinica Médica Policonsult também não lucro nada com a venda de fórmulas chinesas patenteadas. Mas efectivamente sou eu que tenho a liberdade de as escolher dentre as diferentes gamas existentes em Portugal.
O modelo da Clinica Médica Policonsult procura evitar os problemas mencionados acima: não se fazem compras demasiado grandes para não sofrer pressão em vender fitoterápicos cujo prazo de validade se aproxima, o acupunctor domina a escolha dos fitoterápicos/suplementos alimentares/fórmulas patenteadas chinesas e não tem lucro dos mesmos.
O consultório de Medicina Chinesa, no centro de Lisboa já difere da Clinica médica Policonsult, na medida em que é o acupunctor (eu mesmo) que fica com o lucro da venda de fitoterapia/fórmulas patenteadas chinesas. Tirando esta diferença tudo o resto é semelhante: compram-se os fitoterápicos/suplementos alimentares de acordo com as necessidades dos pacientes, a escolha de fitoterápicos/fórmulas patenteadas chinesas não está condicionada por taxas de lucro e os preços dos mesmos são definidos de acordo com o preço de venda ao público (PVP) definido pelas empresas que vendem os suplementos alimentares.
Obviamente que a escolha das gamas está sempre condicionada pela minha experiência e conhecimento das mesmas. Noutro artigo falarei sobre as diferentes gamas existentes e aquelas que mais uso e maior confiança oferecem.
Qual o modelo que eu acharia ideal?
Apesar de existirem diferentes modelos em diferentes clínicas de acupunctura, onde dou consultas, gostaria também de lançar em discussão o modelo que eu acharia mais apelativo. O problema do modelo ideal é encontrar-se dependente da regulamentação destas áreas, enquanto os modelos em discussão foram criados num ambiente de total ausência de leis que direccionem o comportamento dos acupunctores.
O meu modelo ideal seria semelhante à venda de medicamentos existente actualmente. Não fecho os olhos aos problemas que levanta ou aos benefícios que traz a algumas companhias de viagens, especialmente para o Brasil. Mas considero muito melhor ao existente actualmente para os suplementos alimentares.
As fórmulas patenteadas chinesas deveriam ser vendidas em farmácias, o lucro que gerasse a sua venda deveria ser independente do lucro dos acupunctores que as prescrevem, deveria existir uma entidade que controlasse a qualidade das fórmulas patenteadas da mesma forma que se faz com os medicamentos.
Obviamente que as viagens ao Brasil continuam a existir e alterar o modelo só vai fazer com que acupunctores menos honestos mudem os seus esquemas de rentabilização. No fundo ficamos sempre com a certeza que o factor realmente crucial é a formação pessoal do acupunctor.


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