Muitos poderão olhar para este texto como um ataque às suas escolas. Em várias ocasiões até poderá se-lo. No entanto, pretendo mostrar aos diferentes leitores as diferentes escolas e os problemas que se colocam em algumas delas. Antes de escrever este texto debati-me com uma interrogação moral entre não escrever para não afectar outras escolas ou escreve-lo e dar a minha opinião (mais fundamentada do que muitas pessoas gostariam de admitir) acerca dos diferentes cursos. Acima de tudo existe a necessidade de discutir abertamente todos os factos presentes. Não pretendo com o meu artigo mostrar a realidade objectiva a 100%. Acho que ninguém o conseguiria fazer. No entanto pretendo apresentar o meu ponto de vista. Uma coisa posso garantir: as minhas afirmações serão sempre fundamentadas.
Este é um assunto que gera imensas polémicas. Muitos alunos do secundário procuram nos fóruns informações sobre os diferentes cursos e conselhos acerca das diferentes escolas. As minhas posições relativamente a este assunto não são muito populares. Mais não seja pelas criticas constante que faço aos cursos de fim de semana. Apesar destas discussões acabarem por focar principalmente a APA-DA, na realidade, elas são dirigidas a todos os cursos de fim de semana. A APA-DA acaba por ser a escola mais referenciada pelo facto de ter mais alunos, ser a mais conhecida do grande público e de ter alunos mais participativos nos diferentes fóruns.
Este artigo versa sobre estas discussões. Versa igualmente sobre os critérios que creio serem os mais importantes para um aluno escolher o curso. Podemos dividir este artigo em 3 partes: (1) contexto em que se encontra o ensino e prática da acupunctura, (2) critérios para escolher escolas fundamentados no contexto actual e, finalmente, (3) resposta a algumas críticas relativamente aos meus pontos de vista.
Em Portugal a Acupunctura não se encontra regulamentada. Em termos práticos isto significa que qualquer pessoa se pode afirmar como acupunctor, qualquer pessoa pode ministrar cursos de acupunctura independentemente da sua qualidade e qualquer pessoa pode dizer o que bem lhe apetecer, tanto acerca do seu sucesso clínico como acerca da qualidade dos seus cursos.
A ausência de regulamentação que credibilize os profissionais e separe o trigo do joio, a ausência de leis que diferenciem os cursos realmente válidos daqueles que não reúnem condições para o ensino e a publicidade inerente a qualquer escola que procure ter alunos para sobreviver associada ao facto de não existirem órgãos independentes que avaliem os profissionais de forma independente faz com que qualquer escola ou qualquer profissional seja o melhor do mundo sem na realidade ter de dar provas para tal.
Um curso superior de saúde homolgado implica já por si a qualidade suficiente para poder formar profissionais. Isso significa que existe uma profissão regulamentada e cursos devidamente credenciados pelos ministérios responsáveis. A Acupunctura apresenta imensos cursos mas nenhum deles se encontra homolgado, logo, qualquer pessoa interessada nos mesmos não saberá como escolhe-los.
A publicidade inerente ao curso está sancionada por códigos deontológicos estritos: por exemplo, muito dificilmente veremos uma Universidade Portuguesa apresentar os seus cursos para o grande público como os melhores de Portugal ou da Europa. No entanto isto acontece na Acupunctura. Para tal basta visitar a página Web da APA-DA, onde é afirmado:
“É um dos cursos mais completo existente em toda a Europa.(1)”
Os Acupunctores, uma vez terminado o curso, trabalham sozinhos ou então como assistentes de outros acupunctores que tiraram o curso na mesma escola. Ao contrário das outras profissões de saúde, onde os diferentes serviços servem para avaliar a qualidade dos profissionais, a acupunctura resume-se a meia dúzia de feudos. Por exemplo, os serviços de enfermagem dos hospitais públicos e privados e das clínicas privadas apresentam preferência por enfermeiros de determinada escola. Esta escolha está directamente relacionada com a experiência que tiveram com outros profissionais provenientes dessa instituição. Esta é uma das formas de poder credibilizar o ensino de uma instituição de forma independente.
Regra geral dentro dos cursos válidos pode haver um ou outro com mais qualidade. Essa diferença observada pelos diferentes alunos das diferentes escolas que lá podem estagiar ou pelos diferentes profissionais que lá se encontram a trabalhar pode ser relevante para um profissional entregar currículo e ser chamado. Na Acupunctura nada disto se passa. Os alunos só estagiam na clínica associada à escola que os ensina (assumindo que existe uma clínica para eles estagiarem) e raramente trabalham com profissionais de outras escolas.
NOTAS
(1) http://www.apa-da.pt/
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Boa noite !
Estou a pensar seriamente em ir para a ESMTC, mas tenho receio em arriscar por ser um curso bastante diferente do habitual.
Sabendo que dá aulas na ESMTC, se não for pedir muito, gostaria de saber a facilidade de acesso e como está o mercado de trabalho nesta área.
Obrigada,
Ana Calisto
O acesso ao curso é relativamente fácil. Basta ter o 12º ano e fazer um pequeno teste de entrada – que está ao alcance de qualquer um. Não é difícil.
O mercado de trabalho por seu lado está mau. Começam a existir muitas clinicas e, numa fase inicial, é muito dificil conseguir uma boa lista de doentes.
Quanto mais velho for o terapeuta mais facilidade terá em angariar doentes. Quanto mais novo mais dificil será para ele.
Se for para uma zona fora de lisboa que não se encontre muito explorada pode dar-se melhor do que em Lisboa onde o mercado já se encontra muito sobrelotado.
Infelizmente já tive colegas meus a desistirem da profissão porque não conseguiam sobreviver só das consultas.
gostava de saber se ha alguma hipotese de fazer um curso de acupuntura on line? sou portuguesa….obrigada
gostava que me informassem da possibilidade de frequentar um curso on line, de acupuntura…sou portuguesa…obrigada
Boa tarde Liliana
Pessoalmente não conheço nenhum curso on line.
E dificilmente um curso online lhe vai ensinar acupuntura.
Pelo menos é a minha opinião.
Atentamente