DIAGNÓSTICO IV – Como As Características Dos Padrões Clínicos Se Manifestam Nos Sintomas De Órgão
2 passos importantes foram dados para se ter uma ideia geral de como se pode justificar um diagnóstico em Medicina Chinesa. Sabemos reconhecer alguns sintomas de padrões clínicos gerais e outros tantos de órgão. Para terminarmos esta fase falta-nos saber como é que as características dos padrões clínicos se manifestam nos sintomas de órgão.
Por esta altura afirmar que um paciente com tosse, expectoração, frio e lentidão física sofre de um Vazio de Yang do Pulmão já não é suficiente. È importante também sabermos referir que a tosse e a expectoração agravam com frio (seja com aplicações locais de frio seja com tempos frios – daqui a importância da relação dos sintomas com as estações do ano) e melhoram com calor (ou com aplicações locais de calor ou com exposição a tempos quentes). Neste caso melhorámos o nosso diagnóstico para: tosse, expectoração, frio, lentidão física, agravamento dos sintomas com exposição ao frio, aversão ao frio, melhora com calor – preferência pelo calor. Agora o quadro começa a ficar bem pintado. Mas ainda falta aprofundar o estudo dos sintomas de órgão. Já que falamos do Pulmão falemos da expectoração:
A expectoração é um sintoma de órgão. Numa primeira análise diz-nos que qualquer que seja o quadro energético ou a sua causa, o Pulmão é um dos órgãos afectados. No entanto, como já devem ter percebido diferentes padrões clínicos do Pulmão tendem a mostrar pequenas alterações nos sintomas de órgão. Deste modo observam-se variações na apresentação da expectoração como: expectoração clara e fluída, expectoração seca, amarela e pegajosa ou branca pegajosa, etc…
Estas alterações devem-se à natureza da patologia. Se o Pulmão apresentar sintomas de Vazio de Qi, muito provavelmente, a expectoração apresentar-se-á fluída e clara (O Qi é de natureza quente logo um Vazio de Qi deve culminar com um aumento de líquidos orgânicos). No entanto num quadro de Vazio de Yin (quadro de calor) a expectoração já se pode apresentar amarela e/ou escassa. Num padrão de Humidade a expectoração apresentar-se-á pegajosa e, possivelmente de cheiro forte como é comum num quadro de humidade-Calor. Neste momento saímos da esfera mais simplista da divisão dos sintomas gerais e dos sintomas de órgão e passámos a analisar as diferenças num mesmo sintoma.
A tosse também deve poder ser analisada dentro deste modelo. Neste caso não existem muitas variações que possam ser estudadas: já conhecemos os factores desencadeantes (agrava com frio? com calor? com estados de irritabilidade? Com exposição a tempos Húmidos? Após as refeições? Após esforço físico?, etc…. Falta-nos estudar as características particulares deste sintoma. Uma vez que a tosse se caracteriza por uma expulsão de ar e essa expulsão de ar faz-se acompanhar por um som devemos estudar esse som emitido pelo paciente. Este passo é importante: saber se a tosse é de som fraco (quadros de deficiência) ou de som alto (quadro de plenitude). Este é mais um dado a juntar à nossa análise. No quadro abaixo encontram-se expostos os diferentes sintomas do paciente:
| Sintomas órgão | Sintomas gerais | Factores desencadeantes | Características dos síndromes gerais nos sintomas de órgão |
| Tosse expectoração |
Frio generalizado Lentidão física |
Agravamento com o frio Agravamento no Inverno Preferência pelo calor Alivio dos sintomas no Verão |
Tosse de som fraco Expectoração profusa, fluida e transparente |
Agora sim temos um padrão de Vazio de Yang do Pulmão devidamente documentado. Conseguimos definir os sintomas de órgão (tosse e expectoração), os sintomas gerais (frio generalizado, lentidão física), a associação imediata desses 2 tipos de sintomas através dos factores desencadeantes (agrava com frio, melhora com calor, etc…) e através das características dos padrões clínicos gerais nos sintomas de órgão (tosse de som fraco, expectoração profusa, fluida e transparente).
No entanto devemos lembrar que Coração em Medicina Chinesa é uma função com uma expressão física e outra psíquica. Isto significa que o conceito de coração na Medicina Ocidental é ligeiramente diferente da usada na MTC. Por outro lado ainda nos falta referir a relação que se pode estabelecer entre diferentes órgãos ou entre diferentes padrões clínicos. Mas isso é assunto para outros textos. Até lá fiquem bem.


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