Credibilidade cientifica e integração da acupuntura no SNS – parte I
Num programa de televisão datado de 09-02-2009 chamado Sociedade Civil foi discutido a nova exigência da OMS que aconselhava os países a integrarem a MTC (Medicina Chinesa) nos seus Sistemas Nacionais de Saúde (SNS). O programa contava com a jornalista e 4 convidados. Um desses convidados, o Sr.º Antonio Vaz Carneiro defendia o ponto de vista da verdade científica na aprovação de qualquer tratamento que se pretendesse inserir no Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Tenho de admitir que concordo com a grande maioria dos argumentos do Dr.º Vaz Carneiro. A acupunctura é indicada para tudo sem haver provas irrefutáveis para quase nada. Como mencionado noutros artigos já ouvi dizer que a acupunctura consegue curar a fibromialgia em 2 sessões, que consegue eliminar por completo a dependência do tabaco em apenas 1 ou 2 sessões e outras coisas mais ou que acalma ataques de pânico pressionando alguns pontinhos no pulso.
Entre o discurso inflaccionado dos benefícios da acupunctura e as provas cientificas que a sustentam existe um fosso dificilmente transponível. Esta ligação dificilmente será feita. A fibromialgia continua a ser uma doença sem cura e as dependências precisam de tratamentos longos e muita força de vontade pelo simples facto que não só são dependências bioquímicas mas também psicológicas e sociais.
Muitos estudos de acupunctura apresentam erros grosseiros, seja na selecção de grupos de controlo, na análise estatística ou na aplicação da chamada acupunctura falsa e verdadeira (fenómeno para o qual, o Sr.º Pedro Choy chamou atenção). Isto implica o desconhecimento das verdadeiras fronteiras da acupunctura enquanto terapêutica válida.
Vários exemplos são possíveis, desde a diversidade de opiniões e estudos sobre a verdadeira eficácia da acupunctura para deixar de fumar à verdadeira utilidade da auriculopunctura no tratamento da dor enquanto tratamento complementar da acupunctura regular.
Mas o desconhecimento das verdadeiras fronteiras da acupunctura, enquanto terapêutica válida, não significa que nos seja totalmente desconhecido a capacidade da acupunctura em intervir em determinado tipo de queixas. Como o próprio Sr.º Vaz Carneiro, a literatura mundial já apresenta unanimidade relativamente a alguns assuntos como seja o tratamento de vómitos e enjoos em pacientes sujeitos a quimioterapia ou no alivio da dor.
Como acupunctor (apesar de com prática limitada devido tanto à idade como devido às condições em que sou obrigado a exercer a profissão – que não são diferentes das dos outros acupunctores) não tenho dúvida que a acupunctura apresenta resultados relevantes no tratamento de uma série de queixas que não seja só a dor ou os enjoos. E como muitos acupunctores sabem, a dor é um sintoma mas as formas em que se manifesta podem dar origem a muitos tratados.
Na realidade, devido ao sucesso da acupunctura no tratamento deste sintomas e à importância do mesmo, os acupunctores já deveriam ter sido integrados no SNS. Apesar de concordar com muitas das criticas do Sr.º Vaz Carneiro relativamente à falta de provas cientificas, não sou ingénuo suficiente, para pensar que o problema base é a verdade cientifica. O facto da discussão ter sido maioritariamente focada no problema cientifico fez com que a razão base, da oposição à inserção destes profissionais no SNS, não fosse discutida.


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