DIAGNÓSTICO II – Outros Padrões Clínicos Gerais

Até agora só analisamos poucos sintomas que diferenciam os padrões clínicos baseados na teoria Yin/Yang. Como veremos para se compreender o diagnóstico em MTC é importante entrar em contacto com mais algumas teorias; mas falemos de sintomas. Toda a linguagem da Medicina Chinesa é rica em sintomas e deve-se compreender nessa base.

Os sintomas gerais dizem respeito a sinais ou sintomas clínicos que não se associam a nenhum órgão mas sim a padrões gerais: Vazio de Yang, Vazio de Yin, Plenitude Calor. Como se deve lembrar do que acima foi dito para o Vazio de Yang existem sintomas como: frio generalizado, astenia, lentidão, face pálida, sudação profusa, edemas, língua pálida e inchada. O quadro de Vazio de Qi apresenta sintomas semelhantes mas menos severos: suor espontâneo, astenia, face pálida, língua pálida. Estes dois quadros são quadros de deficiência por Frio. Daqui é fácil compreender que um Vazio de Qi quando agravado se transforme num Vazio de Yang.

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DIAGNÓSTICO III – Quando Os Padrões Clínicos Gerais Se Estudam Com Os Padrões De Órgão

Numa primeira aproximação, associar sintomas a órgãos é bastante fácil. Quando se refere palpitações toda a gente é capaz de associar o sintoma ao Coração. Quando se menciona dispneia pensa-se no Pulmão. Quando alguém se queixa de vómitos de certeza que algo se passa com o Estômago. Nem sempre é assim tão simples. No entanto para as próximas linhas também não vamos precisar de complicar muito mais.

Uma vez compreendidos alguns padrões clínicos podemos pensar em associá-los a sintomas de órgão. Vamos supor que temos 2 pacientes: paciente YinTang e o paciente TaiYang.

O paciente Yintang apresenta gastralgias (dor de estômago), febre, erosão da mucosa bucal, obstipação, face vermelha, língua vermelha com capa amarela e pulso cheio e rápido. Neste paciente é fácil diagnosticar um caso de Plenitude Calor (febre, erosão da mucosa bucal, pulso cheiro e rápido, etc…) do Estômago (gastralgia).

Por seu lado o paciente TaiYang refere palpitações, dispneia, astenia generalizada, face pálida, língua pálida e pulso fino e fraco. Neste caso temos sintomas de Vazio de Qi (astenia física, pulso fino e fraco, língua e face pálidas), de Pulmão (dispneia) e Coração (palpitações). Podemos então pressupor a existência de um padrão de Vazio de Qi do Pulmão e Coração.

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DIAGNÓSTICO IV – Como As Características Dos Padrões Clínicos Se Manifestam Nos Sintomas De Órgão

2 passos importantes foram dados para se ter uma ideia geral de como se pode justificar um diagnóstico em Medicina Chinesa. Sabemos reconhecer alguns sintomas de padrões clínicos gerais e outros tantos de órgão. Para terminarmos esta fase falta-nos saber como é que as características dos padrões clínicos se manifestam nos sintomas de órgão.

Por esta altura afirmar que um paciente com tosse, expectoração, frio e lentidão física sofre de um Vazio de Yang do Pulmão já não é suficiente. È importante também sabermos referir que a tosse e a expectoração agravam com frio (seja com aplicações locais de frio seja com tempos frios – daqui a importância da relação dos sintomas com as estações do ano) e melhoram com calor (ou com aplicações locais de calor ou com exposição a tempos quentes). Neste caso melhorámos o nosso diagnóstico para: tosse, expectoração, frio, lentidão física, agravamento dos sintomas com exposição ao frio, aversão ao frio, melhora com calor – preferência pelo calor. Agora o quadro começa a ficar bem pintado. Mas ainda falta aprofundar o estudo dos sintomas de órgão. Já que falamos do Pulmão falemos da expectoração:

A expectoração é um sintoma de órgão. Numa primeira análise diz-nos que qualquer que seja o quadro energético ou a sua causa, o Pulmão é um dos órgãos afectados. No entanto, como já devem ter percebido diferentes padrões clínicos do Pulmão tendem a mostrar pequenas alterações nos sintomas de órgão. Deste modo observam-se variações na apresentação da expectoração como: expectoração clara e fluída, expectoração seca, amarela e pegajosa ou branca pegajosa, etc…
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DIAGNÓSTICO V – Teoria Dos Cinco Elementos

Umas linhas atrás referimos que o Verão era (e continua a ser espero!) de natureza Yang e o Inverno de natureza Yin. As alterações que se observam no decorrer das diferentes estações explicam-se através da teoria Yin/Yang. Os povos asiáticos desenvolveram outras teorias que também tem aplicação na compreensão dos fenómenos naturais. Uma dessas teorias, importante para a MTC, é a teoria dos Cinco Elementos. Esta teoria descreve os Cinco Elementos ao longo do ano. Assim temos o Elemento Fogo para o Verão, o Elemento Terra para o Fim do Verão, o Elemento Metal para o Outono, o Elemento Água para o Inverno e o Elemento Madeira para a Primavera. A natureza cíclica da teoria Yin/Yang encontra-se inserida nesta correspondência. Na imagem de apresentação mostramos a relação destas duas teorias com as estações do ano.

Olhando para a figura atentamente reparamos numa lógica sequencial que se inicia no elemento Madeira e segue até ao elemento Água que por sua vez gera, novamente, o elemento Madeira. Existem dois ciclos nesta teoria de importância fulcral, para a compreensão do mundo que nos rodeia e o desenvolvimento dos processos patológicos que se manifestam no nosso organismo. O Ciclo de Geração e o Ciclo de dominação.

O Ciclo de Geração tem a ordem que analisámos mais acima: a Madeira gera o Fogo, o Fogo gera a Terra, a Terra gera o Metal, o Metal gera a Água e a Água gera a Madeira, voltando ao inicio do ciclo. Desta forma podemos dizer que a Madeira é a Mãe do Fogo e que o Fogo é a mãe da Terra ou também podemos dizer que a Água é o filho do Metal e que o Metal é o filho da Terra. A função do elemento mãe é nutrir o elemento filho e manter a harmonia do ciclo; este equilíbrio é interrompido quando a mãe se encontra fraca e não consegue nutrir o filho ou quando o filho se encontra fraco e tira demais à mãe tentando, desta forma, compensar a sua fraqueza.

O Ciclo de Dominação segue uma ordem diferente como mostrado na figura. A Madeira domina a Terra, a Terra domina a Água, a Água domina o Fogo, o Fogo domina o Metal e este domina a Madeira. Novamente nasce uma desarmonia que se deve tanto à fraqueza de um elemento como à sua força excessiva. Assim se um elemento se encontra muito forte tende a dominar excessivamente outro elemento. No entanto também se pode dar o caso de contra-dominação: devido à condição de fraqueza do elemento que domina ou devido à condição de força do elemento dominado.
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DIAGNÓSTICO VI – A Teoria dos Cinco Elementos, Os Órgãos e Patologia Clínicas

A cada elemento encontra-se associado um órgão e a sua víscera acoplada. Ao elemento Fogo está associado o órgão Coração; ao elemento terra o Baço/Pâncreas; ao elemento Metal o Pulmão, ao elemento Água o Rim e ao elemento Madeira o Fígado. Outras qualidades se encontram associadas aos 5 elementos. O sabor doce pertence ao elemento Terra, picante ao elemento Metal, salgado ao elemento água. Dentro do espectro das emoções vemos a raiva associada ao elemento Madeira, a alegria no elemento Fogo, a reflexão no elemento terra, a tristeza no elemento Metal e o medo no elemento Água. Podem observar-se outras associações no quadro abaixo. De momento interessa-nos explicar algumas destas associações permitindo ao leitor compreender melhor todo este enredo.

Correspondências dos Cinco Elementos
Madeira Fogo Terra Metal Água
estações Primavera Verão Nenhuma Outono Inverno
órgãos Fígado Coração Baço Pulmão Rim
vísceras Vesícula Biliar Intestino Delgado Estômago Intestino Grosso Bexiga
sabores Ácido Amargo Doce Picante Salgado
clima Vento Calor Humidade Secura Frio
emoções Raiva Alegria Reflexão Tristeza Medo
Fases de desenvolvimento Nascimento Crescimento Transformação Recolha Armazenamento

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