Este Sábado vou falar sobre acupunctura, ou pelo menos sobre a minha prática da acupuntura, na Voz do Operário pelas 16:30. É uma pequena tertúlia e convívio organizado pela PAMAP (Portal Ateu – movimento ateísta português) e da COMCEPT (comunidade de cépticos portugueses). Também vai estar presente o grupo “Cépticos com voz”.
Dor nos membros superiores tratada com acupuntura
ABSTRATO
Paciente do sexo feminino recorreu às consultas de acupuntura devido a dor nos braços. A dor era muito intensa e não tinha respondido à terapêutica médica. As dores surgiram em consequência de muito esforço realizado com canadianas que foi obrigada a usar após cirurgia ao joelho (durante a cirurgia a paciente referiu o aparecimento das dores).
Antes do tratamento de acupuntura a paciente realizou uma sessão de osteopatia com o fisioterapeuta Ernesto Ferreira referindo grandes melhoras no alívio da dor. Na avaliação semiológica notou-se: dor muito intensa associada a grande limitação de movimentos que afectavam por igual os dois membros superiores.
A paciente apresentou resposta extremamente positiva aos tratamentos notando-se uma melhoria imediata após primeira consulta com diminuição significativa de dor e aumento considerável de mobilidade. Na sequência do primeiro tratamento deixou de tomar os medicamentos para as dores.
Ao todo foram realizadas 4 sessões, em 2 semanas tendo uma semana de intervalo, de acupuntura ao fim das quais a paciente referiu melhoras de quase 100% sendo os tratamentos interrompidos por motivos pessoais.
O tratamento seleccionado foi a acupuntura sendo o princípio de selecção de pontos pensado numa lógica de miologia funcional e secundariamente de sistema nervoso.

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O argumento antiguidade – parte III
O que podemos aprender da história e da situação atual
A dinastia Song (960-1200) foi um período de ouro para a MTC, mas só começou há 1000 anos atrás e depois dessa belle epoch surgiram épocas mais negras. Até à época Song a maioria dos clássicos só tinham sido lidos por meia dúzia de pessoas, a maioria dos clássicos disponíveis eram de pobre qualidade com erros enormes e muitas das teorias usadas hoje ou formas de pensar os tratamentos ainda não tinham sido plenamente definidas. A falta da qualidade das obras técnicas levou o secretário do palácio, Han Qi, a escrever sobre as expectativas do imperador relativamente à literatura médica:
“The current editions of the Divine Pivot , Grand Basis , “A–B” Canon of the Yellow Emperor, [Formulas of ] Guang ji , Essential Prescriptions Worth a Thousand, and Arcane Essentials from the Imperial Library, contain many errors. Although the Divine Husbandmen’s Materia Medica was once revised during the Kaibao reign period (968–975), the published edition still contains omissions. We invite selected officials knowledgeable in medical texts and officials of the Palace Physician to prepare a definitive edition of these books and issue them to make up for this lack.”[i]

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O argumento antiguidade – parte II
Antiguidade como argumento histórico
Usar a antiguidade para sustentar na história a validade de determinado tratamento muito dificilmente poderá ser considerado como válido. Mais não seja porque a medicina chinesa praticada hoje nada tem a ver com a medicina chinesa de há 5000 anos.
Na realidade há 5000 anos ainda não existia medicina chinesa. Seria mais correto falar em xamanismo chinês. Não existiam conceitos de doenças ou padrões clínicos sendo os fatores patogénicos externos compreendidos como entidades espirituais.
O vento era a base da demonologia chinesa, os shen´s representavam espíritos que vagueavam pelo mundo, as curas eram feitas com base em cânticos e muitas das teorias usadas hoje em dia nem sequer tinham sido criadas.

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O argumento antiguidade – parte I
Já escrevi sobre o argumento de antiguidade, muito usado pelos acupuntores. “A acupuntura tem 5000 anos. Isto significa alguma coisa”. “Há 5000 anos que a MTC vem tratando com sucesso 1/3 da população mundial”. “São 5000 anos de experiências bem sucedidas”. “A sua antiguidade é sinónimo de prática válida”, etc…
Ainda recentemente, numa discussão no facebook pude ler o argumento: “Na Medicina Chinesa estamos de acordo, não há espaço para crenças e misticismo, mas não se pode culpabilizar um conjunto de disciplinas condensadas numa Medicina apenas porque não apareceu nenhum iluminado para comprovar cientificamente a constatação analítica de uma enormidade de resultados experimentais.”
Como aluno cresci a ouvir este argumento. Como professor, profissional ouvi sistematicamente os meus colegas usarem e abusarem deste argumento.

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Democracia, conhecimento e homeopatia
Recentemente um blogger português, Luis Graves Rodrigues, foi processado pela farmácia homeopática Santa Justa. A farmácia não terá gostado de ser mencionada no artigo que ele escreveu[i] onde mostrava o embuste que é a homeopatia e a complacência das autoridades com a venda de medicamentos (água) homeopáticos.
No seu blog, Random Precision, o blogger escreveu:
“A fotografia aqui ao lado retrata a fachada de um estabelecimento comercial instalado na Rua de Santa Justa, na Baixa de Lisboa, e que se apresenta ao público com esta fantástica denominação comercial:
«Farmácia Homeopática de Sta. Justa».
Neste estabelecimento comercial são livre e impunemente vendidos, ou melhor, “impingidos” ao público, preparados misteriosos a preços astronómicos, embora sejam mistelas compostas quase só por água e nunca ninguém tenha conseguido demonstrar a sua eficácia ou sequer o seu efeito.

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Nevralgia do trigémio e medicina chinesa
ABSTRATO
Paciente do sexo masculino, na casa dos 20, recorreu às consultas de acupuntura devido à existência de nevralgia do trigémio diagnosticado há 1 ano. O paciente apresentou os resultados da ressonância magnética (RM) que se encontram descritos no caso clinico.
Foi realizado diagnóstico de acordo com a medicina chinesa e vários tratamentos, desde eletropuntura, craneopuntura e matéria médica foram usados.
Foram usadas várias modalidades de eletropuntura sem sucesso e, em determinados momentos, com agravamento das queixas.
O uso de craneopuntura não alterou em nada a resposta dos sintomas do paciente ao tratamento.
O paciente começou a tomar as fórmulas de matéria médica na altura que desistiu dos tratamentos de acupuntura sendo que ao final de 1 mês ainda não sentia melhoras com as mesmas (apesar de já ter tomado as fórmulas prescritas no passado nunca tinha tomado a combinação usada).
O paciente não respondeu positivamente a nenhum dos tratamentos usados sendo que em determinados momentos a dor agravou.
Ao todo o paciente fez 3 sessões de acupuntura, desistindo da mesma e continuando a tomar matéria médica mas sem resultados palpáveis.

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dor na gravidez e bébé pélvico
ABSTRATO
Paciente do sexo feminino, 32 anos, grávida de 32 semanas, recorreu às consultas de acupuntura devido a dor na região da bacia e bébé com apresentação pélvica (sentado).
Não Se fez diagnóstico de medicina tradicional chinesa e o tratamento de eleição foi a acupuntura e moxibustão. Nas consultas fez-se acupuntura e a paciente foi ensinada a usar moxa de cone em casa de forma a poder aplicar todos os dias.
A paciente respondeu positivamente aos tratamentos sendo que ao final de 3 sessões não apresentou mais dor e o bébé já se apresentava na posição normal.
Ao todo a paciente fez 3 tratamentos de acupuntura.

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dor na coluna e tratamentos de acupuntura
ABSTRATO
Paciente do sexo feminino, com 63 anos. Recorreu às consultas de acupuntura devido à existência de dor intensa ao longo da coluna que afectava membros superiores e membros inferiores.
A paciente apresentava um historial clínico bastante complicado sendo que o objectivo da paciente era o alívio das dores e a melhoria da qualidade de vida.
Ao todo foram realizadas 5 consultas. Ao final das 5 consultas não se observara nenhum efeito visível no tratamento da dor e a paciente foi aconselhada a desistir do tratamento.

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Esoterismo, linguistica e MTC – parte IV
língua chinesa: um aspecto único da cultura mundial
Vamos supor que entramos num hospital e um médico nos diz que sofremos de um ataque de Baal. Eu ficaria abismado a olhar para um médico a dizer-me que eu sofria de um ataque de um deus desaparecido há alguns milénios. No entanto passa-se algo parecido com a medicina chinesa quando fazemos a afirmação que uma pessoa foi sujeita a um ataque de vento.
Isto nada tem de esotérico uma vez que vento já não é o demónio, que as pessoas representavam há milénios, sendo analisado numa lógica clínica. De um demónio para um conjunto de sintomas e sinais clínicos com uma etiopatogenia conhecida.
No ocidente separou-se a religião da ciência, abandonaram-se línguas antigas (chamadas línguas mortas como o Latim) e criaram-se novas, abandonaram-se conceitos que não eram úteis (como o éter) e criaram-se outros.

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