Apontamentos de Acupunctura Clínica I das aulas da ESMTC de 24/10/07 – protocolos e uso clinicos dos 5 pontos shu

Apontamentos de Acupunctura Clínica I das aulas da ESMTC de 24/10/07 – protocolos e uso clinicos dos 5 pontos shu

Disúria (dor ao urinar)

28B, 3VC, 63B; 6BP

Os pontos 28B e 3VC são os pontos de órgão da bexiga, nomeadamente, o ponto de assentimento e o ponto de alarme.

O ponto 6BP é um ponto sintomático muito usado no tratamento de problemas do aquecedor inferior como problemas urinários, sexuais ou menstruais. O ponto 63B é o ponto de emergência da bexiga. Como os pontos de emergência dos meridianos yang são usados no tratamento de dor, principalmente, usamos este pontos para tratar uma queixa de dor relacionada com a sua víscera correspondente.

Nesta combinação está subjacente o uso de pontos locais, distais e sintomáticos.

Disúria por vazio de qi do rim

23B, 28B, 4VC, 3R, 7R

Uma vez que a disúria está associada à bexiga e que existe um quadro afecto ao rim usamos os pontos de assentimento correspondentes. O ponto 23B é ponto de assentimento do rim e o ponto 28B é o ponto de assentimento da bexiga.

A combinação 4VC e 3R é importante. O ponto 4VC chama-se Guan Yuan o que se pode traduzir como “portões Yuan”. Este ponto tonifica o yuan qi. De acordo com a teoria clássica, o yuan qi circula por todos os meridianos e acumula-se num ponto específico de cada meridiano. Chamam-se a esses pontos, pontos yuan. Nos meridianos yin os pontos yuan são os 3º pontos a contar das extremidades. Automaticamente, temos que o ponto yuan do rim é o ponto 3R. Então ficamos com um ponto para tonificar directamente o yuan qi e outro para tonificar o yuan qi do rim. Como 3º ponto shu, o ponto 3R, também pode ser usado para tratar dor.

Finalmente temos o ponto 7R que é o ponto de tobificação do rim. Logo garantimos uma sólida tonificação do qi do rim.

NOTA:

Devemos reparar que quando construímos um protocolo devemos dar sempre atenção a:

1 – selccionar pontos para a queixa principal;

2 – seleccionar pontospara o padrão clínico;

3 – seleccionar pontos secundários para outros sintomas relevantes. Estas 2 últimas etapas podem ser unificadas.

Uso Clínico dos 5 pontos Shu

Existem 5 pontos shu para cada um dos meridianos. Como existem 12 meridianos, os 5 pontos shu totalizam-se em 60 pontos.

1º ponto shu: é o 1º ponto a contar das extremidades.

2º ponto shu: é o 2º ponto a contar das extremidades.

3º pontos hu: é o 3º ponto a contar das extremidades (com excepção da vesícula biliar em que é o 4º ponto a contar das extremidades).

4º ponto shu: não tem uma localização especifica e encontra-se entre o3º ponto e o 5º ponto shu.

5º ponto shu: localiza-se perto das articulações do cotovelo ou do joelho.

1º ponto shu – elemento madeira

2º ponto shu – elemento fogo

3º ponto shu – elemento terra

4º ponto shu – elemento metal

5º ponto shu – elemento água

Os 1º pontos shu tratam sintomas associados a vento, nomeadamente perda de consciência.

Os 2º pontos shu pertencem ao elemento fogo e são usados para eliminar calor.

13B, 1P, 10P – neste caso temos os pontos de órgão do Pulmão (assentimento e alarme) com o 2º ponto shu do pulmão. Logo o padrão clínico seria Plenitude Calor no Pulmão, por exemplo.

17VC, 14B, 8MC, 8C – este protocolo é idêntico ao anterior. No entanto o órgão afectado seria o coração e não o pulmão.

Os 3º pontos shu são usados para tratar dor ao longo do meridiano. Uma vez que pertencem ao elemento terra alguns autores dão mais atenção a estes pontos no tratamento de dor associada a padrões de humidade.

Os 4º pontos shu são usados no tratamento da patologia externa. Actuam, portanto, a nível do sistema defensivo.

Os 5º pontos shu actuam a nível do Aquecedor Inferior. Também são conhecidos como pontos mar. Existe uma particularidade relativamente a estes pontos:

Os pontos mar dos meridianos yang do membro superior são correspondidos a outros pontos localizados nos membros inferiores. A correspondência é mostrada de seguida:

10TA – 39B – ponto mar inferior da Bexiga, tratando problemas urinários como infecção urinária, disúria, etc…

8ID – 29E – ponto mar-inferior do intestino delgado. Trata problemas digestivos e urinários.

11IG – 37E – ponto mar inferior do Intestino Grosso. Trata problemas da víscera como diarreia e obstipação.

Os outros pontos mar-inferior seriam, respectivamente: 36E, 40B, 34VB para os meridianos yang respectivos e 10R, 9BP e 8F para os meridianos yin.

No protocolo base para diarreia ou obstipação é comum usar-se: 25B, 25E e 37E. Neste caso associam-se os pontos de órgão com o ponto mar inferior. A este protocolo base podem associar-se pontos de acção geral:

25B, 25E, 37E, 20B, 6VC, 36E – neste caso o paciente poderia apresentar diarreia/obstipação por vazio de qi do baço.

O ponto 20B é ponto de assentimento do baço, o ponto 6VC tonifica o qi assim como o ponto 36E. Uma vez que o protocolo 6VC e 36E também podem tratar padrões de Humidade teria de se levar em linha de conta a possível existência deste padrão.

3VC, 8F, 9BP, 2F

Neste protocolo pretende-se tratar problemas urinários. O ponto 3VC (ponto um da Bexiga) denuncia a localização da queixa principal. Os restantes pontos são combinados recorrendo à lógica dos 5 pontos shu:

2F é 2º ponto shu e, como tal, elimina calor.

8F e 9BP são 5º pontos shu e tratam padrões de plenitude no Aquecedor Inferior o que fortalece a convicção de queixas existentes na área. O ponto 9BP elimina humidade. Associado com o ponto 2F podemos supor a existência de uma padrãod e Humidade-calor no AI. O ponto 8F fortalece essa convicção, uma vez que elimina esse tipo de padrão do AI.

Deve tomar-se em linha de conta que o ponto 8F também é ponto de tonificação do fígado. Este protocolo mostra a necessidade de se compreender o ponto dentro do protocolo e não pelo estudo individualizado das suas acções.

Outro protocolo recorrendo ao ponto 8F poderia ser:

3VC, 8F, 10BP e 36E.

Neste caso a queixa continua sensivelmente a mesma pois o ponto de órgão da Bexiga mantêm-se. Os pontos 10BP e 36E denunciam uma padrão de vazio de sangue e qi ou estase de sangue e estagnação de qi. No caso dos padrões de vazio o ponto 8F seria usado como ponto de tonificação.

Como se encontram os pontos de tonificação?

Aplicando a lógica dos 5 elementos a um meridiano especifico. Existem algumas regras que nos permitem encontrá-los:

Nos meridianos yin, o 1º ponto shu é sempre pertencente ao elemento madeira (11P, 9C, 9MC, 1R, etc…)

Nos meridianos yang, o 1º ponto shu, é sempre pertencente ao elemento metal (1TA, 1IG, 67B, etc…)

A 2ª regra consiste em: (A) tonificar a mão quando o filho está em vazio e (B) dispersar o filho quando a mãe está em plenitude. A lógica do filho/mãe insere-se na ordem dos 5 elementos.

Tomemos o meridiano do rim como exemplo:

1R (elemento madeira); 2R (elemento fogo); 3R (Elemento terra); 7R (elemento metal) e 10R (elemento água).

Sabendo que o rim pertence ao elemento água temos que o metal é a mãe da água e a madeira é o filho da água, logo: quando a água está em vazio tonificamos o elemento mãe: o ponto metal do rim é o 7R.

Se o elemento água está em excesso dispersamos o elemento filho: o ponto madeira do rim é o 1R, logo este é o ponto de dispersão do rim.

Analisemos a aplicação clinica desta técnica:

23B, 25VB, 6BP, 7R, 2R.

Neste protocolo temos: 23B e 25VB que são, respectivamente, os pontos shu e um do rim. Logo é o rim que se encontra afectado.

O ponto 6BP é um ponto de acção geral que tanto pode tonificar yin, o yang como eliminar humidade, por exemplo. Associando este ponto ao 7R, sabemos que existe um padrão de vazio de rim, logo o padrão de humidade pode ser excluído. No entanto ainda não conseguimos diferenciar entre o vazio de yin e o vazio de yang.

A adição do ponto 2R (2º ponto shu) indica um padrão de calor. Como o padrão de vazio de yang é caracterizado por frio ficamos com a única hipótese restante que é o vazio de yin do rim. Na realidade o protocolo 6BP, 3R é usado como protocolo base para a tonificação do yin. Neste caso fizemos a alteração do 3R pelo ponto 7R.

De notar, também, na associação de 2 técnicas distintas do uso clínico dos 5 ponto shu, nomeadamente, o uso conjunto dos pontos 2R e 7R.

Outra variação do uso clínico dos 5 pontos shu está relacionada com a sua variação consoante as estações do ano. É uma das técnicas usada na crono-acupunctura.

A técnica é muito semelhante às já mencionadas. No entanto, em vez de se ligar o meridiano ao elemento, liga-se o elemento à estação do ano. Continuemos com o meridiano do rim:

Se o rim se encontra em plenitude durante o verão dispersamos o ponto filho do elemento verão: a terra. Logo, durante o verão, o ponto de dispersão do rim é o 3R. A terra é o filho do Fogo. Esta técnica aplica-se a todos os meridianos. Actualmente não é muito usada.BannerFans.com
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O autor

nuno lemos

Licenciado em Medicina Chinesa pela Universidade de Nanjing divido o meu tempo entre prática clinica, aulas e formações de acupuntura, escrita e mestrado em radiofarmácia.

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