Neste momento, o mundo das Terapêuticas Não Convencionais está a ser completamente vandalizado por algo chamado Medicina Quântica. Os preponentes desta fraude descarada pretendem fazer diagnóstico de Medicina Ocidental e Medicina Chinesa, com misturas de Ayurveda e outras coisas mais com uma simples máquina ligada a um portátil.
Exames médicos muito mais avançados, com tecnologia de ponta não conseguem dar as informações que esta máquina oferece. Ela até consegue fazer diagnóstico em Medicina Chinesa (a que chama diagnóstico de acupunctura) sem analizar nenhum sintoma ou sinal clínico. Para alguns uma verdadeira maravilha. Para aqueles com um pouco de conhecimento uma fraude completa.
Sobre a fraude que representa a Medicina Quântica irei ainda escrever muitos mais textos. Este escrevi-o porque pretendo mostrar ao leitor um programa de televisão feito no Canadá, com uma máquina muito semelhante àquilo que a Medicina Quântica pretende vender.
A disfunção eréctil refere-se à incapacidade do homem em manter uma erecção conseguindo assim relações sexuais satisfatórias. As suas causas podem ser físicas (problemas circulatórios, etc…) ou psicológicas (problemas familiares ou profissionais, depressão, falta de auto-estima, etc…). A diversidade de causas indica que existe uma grande diversidade de tratamentos. Alguns pacientes com disfunção eréctil precisam de acompanhamento psicológico. Outros podem necessitar de intervenção médica e medicação.
Eu sei que é mais fácil falar que fazer, mas o homem deve procurar falar com a sua parceira e procurar aconselhamento médico, nestas circunstâncias. O diálogo com a parceira pode ajudar o casal a superar esta fase e até pode ajudar o próprio homem a melhorar a sua performance sexual. O acompanhamento médico pode tratar ou curar a disfunção eréctil, dependendo do problema.

Muitas vezes a Medicina consegue dar uma vida sexual satisfatória aos seus pacientes através de medicação própria que permite ao paciente manter erecções e levar a relação sexual a bom porto. Tal como a Medicina Ocidental, a Medicina Chinesa também oferece alternativas com alguns tratamentos, nomeadamente a acupunctura (discutível, como veremos) e a fitoterapia.
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Qual o problema de se afirmar que a Esclerose Múltipla é um Síndrome Wei?Como o leitor deve ter reparado tanto a Esclerose Múltipla como os síndromes Wei são formas distinctas de classificar sintomas. Os síndromes Wei podem aplicar-se a uma série de patologias ocidentais. Um exemplo simples: paciente com paralisia devido a AVC pode facilmente enquadrar-se nesta categoria de síndromes Wei.
Por outro lado os sintomas da Esclerose Múltipla são extremamente variados. São tão variados, que numa fase inicial é possível o médico enganar-se no diagnóstico. Sintomas como formigueiro ou entorpecimento dos membros, visão dupla, cegueira parcial, perda de visão central, alterações emocionais, alterações mentais e também falta de força[i]. É um bocado difícil olhar para estes sintomas todos e afirmar É UM SÍNDROME WEI. Façamos o exercício ao contrário: se eu descrever estes sintomas todos quantos acupunctores me irão falar em síndromes wei?
Um dos perigos que existe quando falamos de diagnóstico em Medicina Chinesa e em Medicina Ocidental consiste em fazerem-se analogias simplistas com nomes de doenças ou padrões clínicos, acabando por perder-se a riqueza da análise semiológica (análise de sintomas e sinais clínicos). Os diagnósticos, chamados, “tipo chapa 5” acabam por ser a consequência óbvia deste tipo de pensamento.
Faz uns tempos no blogue numa discussão foi apresentado o seguinte argumento:
“A esclerose múltipla é apenas reconhecida pela MO desde inícios dos anos 70 (1970, já agora) graças ao trabalho de Jean-Martin Charcot. A MTC conhece-a desde que conhece os Síndromas Wei já que é isso que ela é. Mais de milhar de anos portanto.”[i]
Para fazer o diagnóstico clinico dos padrões clínicos associados à infertilidade é importante seguir determinados sinais clínicos e sintomas.
Ao contrário de outros sintomas a infertilidade não possui sintomas próprios. Para me explicar melhor, permitam-me usar a dor como exemplo: um paciente pode descrever diferentes tipos de dor como dor tipo moinha, dor tipo facada, dor com sensação de peso, etc… Pode observar se a dor agrava com frio ou com calor. O terapeuta, durante a fase de palpação, pode estudar a reacção da dor à palpação, etc…
Nada disto se passa com a infertilidade. Não podemos saber se a infertilidade agrava com calor ou frio, sé é infertilidade tipo facada ou com sensação de peso ou se agrava ou melhora com pressão. Pensar nisto até faz as pessoas esboçarem um leve sorriso…
Uma das funções do casal que pretende ter filhos consiste em definir a melhor altura do mês (ciclo menstrual) para ter relações sexuais. Os espermatozóides e o óvulo têm um tempo limite de vida. Ter relações antes do período não vai ajudar porque o óvulo já morreu há muito. Imediatamente após o período também não beneficia nada porque, na altura da ovulação, os espermatozóides há muito que morreram.
Sabendo que o óvulo tem um tempo de vida de 12 a 24 horas e que os espermatozóides tem um tempo de vida que varia entre 2 a 5 dias é possível estabelecer períodos do ciclo menstrual que são mais propícios à fecundação.
Regra geral, as pacientes que pretendem engravidar usam um gráfico mensal onde colocam informações relativas ao ciclo menstrual, ficando assim a saber quando se aproxima o momento de fecundação. Este método, útil sem dúvida, falha quando o ciclo menstrual das mulheres não é regular. É benéfico estabelecer estes horários quando o ciclo menstrual não é irregular.
Algo que nos deveria fazer pensar (a nós adeptos das medicinas complementares e, em particular, aos praticantes de Medicina Chinesa) é o contraste existente entre as nossas exigências de reconhecimento, de liberdade de prática, de autonomia profissional e as nossas afirmações completamente disparatadas.
Todos desejamos ser incorporados no Sistema Nacional de Saúde. Todos desejamos ver a nossa profissão regulamentada e os nossos cursos reconhecidos, assim como a nossa capacidade de, responsavelmente, tratar um doente. No entanto, comportamo-nos como se a nossa prática em nada influenciasse as práticas de outras profissões de saúde como a Medicina Ocidental. Deixem-me dar exemplos, alguns deles, bem reais.
Existem alguns estudos de Medicina Nuclear onde é necessário fazer marcação in vitro ou in vivo de eritrócitos. Para se fazer a marcação destes consituintes com tecnécio é preciso reduzir o tecnécio (costuma usar-se cloreto estanhoso) e sabe-se que existem imensos produtos naturais com grandes ou pequenas quantidades de anti-oxidantes que podem alterar a redução do tecnécio (redução significa receber electrões e oxidação perder electrões. É possível reduzir o tecnécio com doadores de electrões como o cloreto estanhoso. Existem produtos naturais que são doadores de electrões e outros que não)[i] o que significa que algumas das fórmulas que usamos poderão conter plantas que podem prejudicar ou beneficiar estes exames de Medicina Nuclear.
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Em 2004 a OMS (Organização Mundial de Saúde) aconselhou o ensino dos efeitos medicinais de imensas plantas de forma a que pudessem ser usadas de forma segura e consciente. O problema que gerou esta acção por parte da OMS deveu-se precisamente à interacção entre as plantas medicinais “energéticas” e os medicamentos ocidentais “químicos”[i].
Os cientistas sabem que podem existir 2 tipos de interacções entre plantas medicinais e medicamentos, nomeadamente, interacções farmacodinâmicas e farmacocinéticas. Sim, estou a falar daquelas interacções que supostamente não existem.
As interacções farmacocinéticas, têm a ver com a absorção, metabolismo, distribuição ou eliminação dos princípios activos e podem ser devidas a alterações nas suas quantidades disponíveis. Por seu lado a interacção farmacodinâmica tem a ver com a zona/tecido onde o princípio vai actuar. Este tipo de interacções, podem ser agonistas ou antagonistas. Por outras palavras, a fórmula chinesa que usámos pode potencializar o efeito do medicamento ou não.
O diagnóstico da MTC é baseado na presença de sintomas e sinais clínicos e na relação que estes formam entre si e entre outros factores causais que podem ser externos ao paciente (desde a exposição ao frio a vizinhos irritantes). Mas contam principalmente os sintomas e toda a complexa rede de relações que podem formar.
Assim podemos ter pacientes que apresentem dor mais pronunciada nas articulações dos membros inferiores, acompanhada com sensação de peso e sensibilidade a alterações atmosféricas com agravamento nítido em períodos mais húmidos e edema nos joelhos e tornozelos. Num paciente com este tipo de sintomas não seria difícil diagnosticar dor por Humidade. Agora podemos supor que apesar do paciente não referir relações certas entre agravamento dos sintomas e exposição a frio ou calor ele nota que a urina se encontra muito escura. Neste caso temos um sintoma que se pode dever à presença de calor. É comum muitos pacientes que sofrem de humidade-calor no AI (Aquecedor Inferior) apresentarem este conjunto de sintomas, onde se nota uma relação entre sintomas urinários e sintomas dolorosos.
Algumas pessoas são ensinadas que a matéria médica chinesa não interage com a medicação ocidental, porque trata dos “desequilíbrios energéticos” do corpo enquanto que a medicação ocidental trata a nível químico.
Infelizmente, o termo “energético” abunda no discurso holista da MTC no ocidente. Já aqui falei sobre esse assunto e não me irei pronunciar muito mais a não ser para dizer uma coisa: quem fala em síndromes energéticos ou acção energéticas fundamenta todo o seu discurso na mutilação de termos da Medicina Chinesa o que obviamente acaba por enviesar toda a sua análise futura. E isto não é uma crítica aos profissionais que assim são ensinados mas aos professores e profissionais que assim ensinam.
Basta olhar para a diferenciação de padrões clínicos e para a classificação da matéria médica para ver que ela se baseia essencialmente em classificar sintomas e catalogar drogas específicas para esse tipo de sintomas. Um estudo recente (Phytochemical Informatics of Tradicional Chinese Medicine and Therapeutic Relevance), por exemplo, mostrou que existia uma correlação muito forte entre a presença de determinados compostos químicos e a classificação de drogas em MTC.
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