Interessa-nos, neste capítulo, analisar:
Pontos de alarme, de assentimento e dermátomos
Numa primeira abordagem ao diagnóstico em Medicina Chinesa deve-se diferenciar sintomas de padrões clínicos gerais de sintomas de órgão. Os sintomas de padrões gerais referem-se a vazio de qi, vazio de yang, plenitude calor, etc., enquanto que os sintomas de órgão se referem a sintomas especifícos de órgão. Palpitações é um sintoma do coração, dispneia é um sintoma do pulmão, etc.
Como referido nos textos publicados de diagnóstico, associar os sintomas gerais com os sintomas de órgão permite-nos chegar a um diagnóstico. A forma de pensar em diagnóstico encontra-se bem explicada noutros textos. Este pequeno texto serve para dar a conhecer quais os sintomas gerais do padrão patológico conhecido como vazio de qi.<
No vazio de qi não existe desequilíbrio entre o yin e yang. Estas podem encontrar-se plenamente equilibradas mas abaixo do seu nível normal. Este padrão manifesta-se, como tal, com três sintomas físicos e 2 sinais clínicos de importância:
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(Na imagem da esquerda é possível ver os pontos gatilho. Na imagem da direita observa-se a localização da dor desencadeada por estes pontos gatilho).
O masséter é o principal músculo mastigador. Este músculo, tal como muito outros, pode desenvolver pontos gatilho activos que irão desencadear dores noutras regiões faciais.
Dores de ouvidos, de dentes, gengivas, cefaleia frontal, e dores oculares são algumas das dores que podem estar associadas a pontos gatilho existentes no músculo masséter. Uma outra dor também comum associada à existência de pontos gatilho neste músculo é dor na articulação temporo-mandibular.
A localização dos pontos está muito relacionada com o meridiano do estômago. A grande maioria das regiões dolorosas encontram-se igualmente associadas ao percurso do meridiano do estômago.
Este capítulo tem como objectivos:
Localização dos pontos de assentimento e inervação segmentar dos órgãos e vísceras em Medicina Chinesa
Este artigo será dividido em três partes: uma primeira parte onde apresento um quadro com a localização dos pontos de assentimento e a inervação segmentar dos órgãos e vísceras, uma segunda parte onde são mostradas as vísceras inervadas por um determinado segmento e as indicações clínicas do ponto de assentimento aí localizado e, finalmente, uma terceira parte onde comento e concluo a minha análise dos quadros apresentados.
| Órgãos
vísceras |
loc | Indicações clínicas | Órgãos vísceras afectadas pelo segmento |
| P | D3 | Sintomas pulmonares como: tosse, asma, dispneia, respiração curta, sensação de calor no peito, abcesso pulmonares, etc…; dor na zona superior das costas; febre, sede, epilepsia, secura da boca, vómitos, urticária, dor de garganta, etc… | Este segmento inerva Pulmão, Coração.
Também inerva os músculos do ombro: serrátil posterior superior; do abdómen: recto do abdómen, oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do andómen e os para espinais: elevador da espinha, semi-espinal, multifido e rotadores. |
| MC | D4 | Sintomas cardíacos como: dor cardíaca, opressão torácica, palpitações; Sintomas pulmonares como: tosse, respiração curta, dispneia; outros: vómitos, agitação. | Este segmento inerva Pulmão e Coração.
Mesma inervação muscular que o anterior. |
| C | D5 | Sintomas cardíacos como: dor cardíaca, opressão torácica, palpitações; sintomas pulmonares como: tosse, hemoptises; outros: demência, epilepsia, vómitos, vómitos de sangue, emissões seminais, hemiplegia, problemas na língua, insónia, icterícia. | Este segmento inerva Pulmão, Coração[1], Estômago, Duodeno, Pâncreas, Fígado e Vesícula Biliar.
Também inerva os músculos do abdómen: recto do abdómen, oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do andómen e os para espinais: elevador da espinha, semi-espinal, multifido e rotadores. |
| F | D9 | Sintomas como: distensão e dor nos hipocôndrios, hepatite, hepatomegalia, colecistite massas abdominais, dor abdominal, opressão torácica, tosse com dor hipocondríaca, vómitos de sangue, epilepsia, tosse com sangue, problemas de visão (visão turva, cegueira nocturna), dor na coluna. | Este segmento inerva o Baço, Estômago, Duodeno, Pâncreas, Fígado e Vesícula Biliar, Intestino Delgado, Cólon ascendente.
Mesma inervação muscular que a anterior. |
| VB | D10 | Sintomas da Vesícula como: icterícia, sabor amargo na boca, distensão e dor no hipocôndrio, vómitos, hepatite, hepatomegalia, colecistite. | Este segmento inerva Estômago, supra-renais, Duodeno, Pâncreas, intestino delgado, apêndice, cólon ascendente, Rins, Bexiga e Útero.
Inervação muscular semelhante ao anterior. |
| BP | D11 | Sintomas de Baço/Pâcreas como: distensão e dor no abdómen, falta de apetite, diarreia, desordens desintéricas, vómitos e outros sintomas como: icterícia, edema, sonolência, prolapso uetrino, hemorragias crónicas, sangue nas fezes, sangue na urina, menorragia. | Este segmento inerva supra-renais, Duodeno, Pâncreas, apêndice, Cólon ascendente, Rins, Bexiga e Útero.
Mesma inervação muscular que a anterior. |
| E | D12 | Problemas de Estômago como: frio no estômago, dor e distensão, opulência abdominal, dor na região lateral costal, edema, vómitos, náuseas, diarreia, borborismos, e outros como: malária, dor no peito, prolapso rectal. | Este segmento inerva supra-renais, apêndice, Cólon ascendente, Cólon transverso, Rins, Bexiga e Útero.
Mesma inervação muscular que a anterior e os músculos do membro inferior quadrado lombar. |
| TA | L1 | Sintomas como: borborismos, diarreia, vómitos, massas abdominais, distensão abdominal, edema, dificuldade em urinar, sangue na urina, dor na coluna, dor e rigidez nas costas e ombros, icterícia, sabor amargo na boca. | Este segmento inerva supra-renais, Cólon ascendente, Cólon transverso e descendente, sigmóide, recto e anús, Rins, Bexiga e Útero.
Também inerva os músculos do abdómen: oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do andómen e os para espinais: elevador da espinha, semi-espinal, multifido e rotadores; músculos do membro inferior: quadrado lombar e iliopsoas. |
| R | L2 | Sintomas de Rim como: edema, dificuldade em urinar, enurese, sangue na urina, emissões seminais, impotência, ejaculação prematura, menstruação irregular, leucorreia, diarreia, borborismos, surdez, zumbidos, lombalgia, fraqueza dos membros inferiores. | Este segmento inerva Cólon descendente, sigmóide, recto e anús, Bexiga e Útero. Também inerva os músculos da perna: quadrado lombar, iliopsoas, quadríceps femural, e adutor longo; e da coluna: erector da espinha, semi-espinal, multífido e rotadores; músculos do membro inferior: quadrado lombar, iliopsoas, quadríceps femural e longo aductor. |
| IG | L4 | Sintomas do Intestino grosso como: diarreia, diarreia com comida por digerir, abcessos intestinais, sangue nas fezes, distensão abdominal, dor no baixo abdómen, lombalgia, rigidez da coluna. | Este segmento inerva recto (faz parte do plexo rectal). Também inerva os músculos paraespinais: erector da espinha, semi-espinal, multífido e rotadores e músculos do membro inferior como: quadrado lombar, glúteos, quadríceps femural, adutor longo, semitendinoso, semimenbranoso, tibial anterior e fibular. |
| ID | S1 | Sintomas como: hemorróides, sangue nas fezes, diarreia, obstipação, urina escura, enurese, retenção urinária, leucorreia, emissões seminais, sangue na urina, lombalgia. | Também inerva os músculos grande glúteo, obturador interno, piriforme, bíceps femural, semitendinoso, popliteo, gastrocnémios, sóleo, fibular longo e curto, extensor breve dos dedos. |
| B | S2 | Sintomas como: retenção urinária, enurese, sangue na urina, emissões seminais, edema nos genitais, inchaço do pénis, diarreia, obstipação, rigidez na coluna, lombalgia, dor no sacro, fraqueza dos membros inferiores. | Este segmento inerva Bexiga, Útero, Genitália externa, encontra-se na origem do nervo inferior do recto que inerva o levantador do anús e esfíncter anal externo. Ainda inerva os músculos paraespinais erector da espinha, semi-espinal, multífido e rotadores e os músculos do membro inferior glúteos, piriforme, semitendinoso, semimenbranoso, bíceps femural, gastrocnémios e sóleo. |
NOTAS FINAIS
De acordo com a medicina chinesa não é possível às pessoas manterem-se saudáveis se não respeitarem os ciclos da natureza em que se encontram. Mais uma vez surge o conceito de microcosmos e macrocosmos e a teoria dos cinco elementos. Mas o que significa isto realmente?
Considere-se o leitor como o microcosmos. O Macrocosmos será composto pelo seu agregado familiar, pelos seus colegas de trabalho, pelas condições em que trabalha, pela região geográfica onde se encontra, pelas estações do ano, etc… No fundo, tudo aquilo que possa ter relação com o ser humano, directa ou indirectamente, pode considerar-se como o macrocosmos.<
Os chineses desenvolveram teorias que lhes permitia compreender e prever os ciclos da natureza como a teoria dos 5 elementos. Adaptaram os ciclos da natureza ao ser humano de forma a compreender os mecanismos patológicos que observavam. Acredita-se, na medicina chinesa, que as actividades vitais são influenciadas pelas leis da natureza. Todas as actividades fisiológicas formam padrões similares aos observados na natureza.
Uma dessas leis é a lei dos 5 elementos. Nos meus textos sobre diagnóstico já falei sobre esta lei e dei exemplos da forma como ela pode explicar os processos patológicos ou a relação que existe entre estes e os padrões observados na natureza. Permitam-me tentar explicar, neste texto, de forma ligeiramente diferente daquilo que já vos foi apresentado.
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A Medicina Chinesa é, na sua natureza, uma medicina preventiva. Os seus ensinamentos inserem-se numa lógica do cultivo da vida e não somente no tratamento da doença.
Ela considera a doença como uma desarmonia entre o microcosmos e o macrocosmos. Podemos definir o microcosmos como um organismo vivo (como eu ou o leitor) e o macrocosmos como todo o ambiente que nos rodeia (como as estações do ano, as condições geográficas do local onde habitamos, da sociedade onde nos inserimos, etc…). Daí a necessidade de uma análise complexa do ser humano, durante o interrogatório, onde se procura explorar a forma como a mente, a sociedade, a cultura ou a geografia podem estar relacionados com os sintomas físicos.
Para a Medicina Chinesa, a prevenção, ou cultivo da vida tem como objectivo principal conservar a saúde/prevenir a doença. Os meios usados variam nos diferentes hábitos de vida. Regular a dieta às nossas características pessoais, ao ambiente, à estação do ano, às nossas necessidades, fazer exercício físico adaptado à nossa condição e à estação do ano, moderar vida sexual (algo extremamente importante na cultura chinesa) e adaptar-se ao meio ambiente (que já referimos quando mencionámos a adaptação da dieta e do exercício físico).
Métodos terapêuticos mais conhecidos como a acupunctura ou a fitoterapia também são usados para preservar o nosso estado de saúde.
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Recentemente foi escrita uma carta à Ministra da Saúde pela Associação Portuguesa dos Profissionais de Acupunctura (APPA) cujo presidente é o Sr. Pedro Choy. Tal como a carta refere eu espero que a resposta tenha chegado “com a brevidade, que a situação exige.”
Antes de mais devo afirmar publicamente que a Associação Profissional de Acupunctura e Medicina Tradicional Chinesa (APAMTC) assim como os acupunctores portugueses não estão ao serviço dos jogos e dos interesses particulares do Sr. Pedro Choy.
Na carta deu-se a impressão que a comissão era fraudulenta, que o seu representante na acupunctura, Sr. José Faro, era um representante imposto que não salvaguardava os direitos dos acupunctores. Pretende-se dar uma resposta pública da falsidade desta carta e dos seus inúmeros erros permitindo ao povo português analisar o trabalho da APAMTC e do representante da acupunctura na comissão, Sr. José Faro.
(Aula dada pela Drª Gu com Registo eTradução da Prof. Ana Varela. Publicado com a autorização da Revista de Medicina Chinesa da ESMTC. Qualqur erro aqui presente é da minha inteira responsabilidade).
Lista de símbolos:
(T) – em tonificação.
(D) – em dispersão.
(R) – regular.
Estes símbolos foram usados assim neste texto por comodidade de publicação no blogue. Nota do autor do blogue.
Introdução
Apresentam-se hoje dois tópicos. O primeiro diz respeito ao tratamento de acupunctura para o síndroma de imunodeficiência (SIDA), e o segundo ao tratamento de acupunctura para a infertilidade feminina (neste artigo será só apresentado o tema da imunodeficiência adquirida – nota do autor do blogue).
A doença da SIDA existe há muito tempo mas foi descoberta em 1981 por alguns médicos ocidentais. Como a incidência desta doença tem aumentado muito, existe um interesse crescente dos médicos e investigadores de todo o mundo, inclusivae dos chineses no conhecimento e controlo desta patologia. Hoje, na China são utilizadas quer a acupunctura, quer a Fitoterapia no tratamento desta patologia.
A acupunctura costuma ser das terapêuticas mais usadas no tratamento da paralisia facial, nos hospitais chineses. Os pontos locais são usados juntamente com os pontos distais. Os pontos distais e proximais são seleccionados para tratar o padrão clínico, enquanto que os pontos locais são usados para tratar directamente as lesões visiveis da paralisia facial.
A melhor forma de seleccionar pontos locais, no tratamento da paralisia facial, consiste em seleccionar pontos de acordo com os grupos musculares.
A melhor forma de o conseguir é pedir ao paciente que realize alguns movimentos como contrair o frontal ou encher a boca de ar e ver as diferenças entre a parte da face afectada e a boa.
Pedimos ao paciente que contraia o frontal exemplificando:
Caso o paciente não apresente pregas frontais seleccionamos os pontos 14VB e 2B (direccionado em direcção ao músculo lesado).