O ponto 20IG situado no sulco nasolabial ao nível da inserção das asas do nariz é conhecido por Yingxiang. Ying traduz-se por bom e xiang cheiro. Outras traduções possíveis seriam fragrância bem vinda ou perfume agradável. O nome deste ponto deve-se tanto à sua localização como às suas indicações clínicas. Encontrando-se perto do nariz é um dos principais pontos usado no tratamento de qualquer problema que afecte este órgão dos sentidos em particular anosmia.
O ponto 29E situado a 1 cun superiormente ao bordo superior da sinfise púbica e 2 cun lateralmente á LMS é conhecido por Guilai. Este termo significa volta para casa. As suas principais indicações clínicas fazem referência ao tratamento de problemas nos genitais e no útero. O seu nome advêm-lhe desta última função, pelo que significa, mais correctamente, o regresso a casa da menstruação. A planta de fitoterapia chinesa Angélica Sinensis, por seu lado, recebe o nome de Dang Gui. Dang traduz-se por Deve e Gui voltar. Esta planta, de eleição para problemas menstruais, possui um nome semelhante ao nome do ponto 29E devido às suas indicações em problemas menstruais como amenorreia. Este é um exemplo de como os nomes dos pontos de acupunctura e plantas usadas em fitoterapia se relacionam devido a uma indicação comum. No entanto já vi outra tradução ligeiramente diferente do ponto 29E. Neste caso o caractér chinês poderia traduzir-se por sobe e volta referindo-se à sua utilidade em casos de prolapso uterino.
Outro ponto que trata problemas locais e que deve o seu nome a esse facto é o primeiro ponto do meridiano da Bexiga. Conhecido como Jing Ming localiza-se a 0,1 cun acima do ângulo interno do olho e trata problemas locais como cegueira nocturna, visão nublada, olhos vermelhos, infecções oculares, etc… Dai que o seu nome signifique Olhos (Jing) Brilhantes (Ming).
Para terminar esta secção gostaria de referir um conjunto de pontos conhecidos como pontos de assentimento. Cada órgão e cada víscera em MTC têm um ponto de assentimento. O nome destes pontos divide-se em duas partes: um termo comum, Shu, que significa ponto de assentimento e um caracter diferente para cada órgão ou víscera. Assim encontramos pontos com o nome de Feishu, Weishu, Xinshu, Ganshu, Danshu, etc… Feishu significa ponto de assentimento do Pulmão, Weishu é ponto de assentimento do Estômago e assim sucessivamente: Xin para Coração, Gan para Fígado e Dan para Vesícula Biliar entre outros.
…É de dia. O Sol corre alto e imponente pelo céu. Com o Sol vem o calor, um calor, por vezes insuportável, por vezes confortável. Mas obviamente que não é sempre dia. Surge a noite. A noite, mais fria, também tem o seu astro, a lua, que embeleza o céu estrelado. E, novamente, a noite transforma-se em dia; este começa mais frio, mas na medida em que a luz aumenta e o Sol percorre o seu caminho tende a aquecer, até que se começa a transformar, a diminuir a sua capacidade de aquecer, de iluminar e nasce, novamente, a noite…
Esta observação que os nossos antepassados agricultores chineses faziam e que nós também constatamos é a base para se compreender a natureza cíclica da Teoria Base do pensamento chinês: a teoria Yin/Yang. Yang caracteriza todas as propriedades associadas ao dia: luz, Sol, calor; enquanto que o termo Yin caracteriza todas as propriedades da noite: escuro, Lua, frio. Nenhuma destas é boa nem nenhuma é má: na natureza todas são necessárias. E nenhuma é fixa nem se compreende sem a sua oposta: elas existem em função uma da outra. Só quando se manifestam em excesso ou não se manifestam o suficiente se tornam negativas pois não conseguem manter o equilíbrio homeostático. A razão pela qual não existe tradução para muitos dos termos usados em Medicina Chinesa deve-se ao seu uso com múltiplos significados. Deste modo Yang significa: Sol, Verão, dia, calor, homem, e Yin: Lua, Inverno, noite, frio, mulher.
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Até agora só analisamos poucos sintomas que diferenciam os padrões clínicos baseados na teoria Yin/Yang. Como veremos para se compreender o diagnóstico em MTC é importante entrar em contacto com mais algumas teorias; mas falemos de sintomas. Toda a linguagem da Medicina Chinesa é rica em sintomas e deve-se compreender nessa base.
Os sintomas gerais dizem respeito a sinais ou sintomas clínicos que não se associam a nenhum órgão mas sim a padrões gerais: Vazio de Yang, Vazio de Yin, Plenitude Calor. Como se deve lembrar do que acima foi dito para o Vazio de Yang existem sintomas como: frio generalizado, astenia, lentidão, face pálida, sudação profusa, edemas, língua pálida e inchada. O quadro de Vazio de Qi apresenta sintomas semelhantes mas menos severos: suor espontâneo, astenia, face pálida, língua pálida. Estes dois quadros são quadros de deficiência por Frio. Daqui é fácil compreender que um Vazio de Qi quando agravado se transforme num Vazio de Yang.
Numa primeira aproximação, associar sintomas a órgãos é bastante fácil. Quando se refere palpitações toda a gente é capaz de associar o sintoma ao Coração. Quando se menciona dispneia pensa-se no Pulmão. Quando alguém se queixa de vómitos de certeza que algo se passa com o Estômago. Nem sempre é assim tão simples. No entanto para as próximas linhas também não vamos precisar de complicar muito mais.
Uma vez compreendidos alguns padrões clínicos podemos pensar em associá-los a sintomas de órgão. Vamos supor que temos 2 pacientes: paciente YinTang e o paciente TaiYang.
O paciente Yintang apresenta gastralgias (dor de estômago), febre, erosão da mucosa bucal, obstipação, face vermelha, língua vermelha com capa amarela e pulso cheio e rápido. Neste paciente é fácil diagnosticar um caso de Plenitude Calor (febre, erosão da mucosa bucal, pulso cheiro e rápido, etc…) do Estômago (gastralgia).
Por seu lado o paciente TaiYang refere palpitações, dispneia, astenia generalizada, face pálida, língua pálida e pulso fino e fraco. Neste caso temos sintomas de Vazio de Qi (astenia física, pulso fino e fraco, língua e face pálidas), de Pulmão (dispneia) e Coração (palpitações). Podemos então pressupor a existência de um padrão de Vazio de Qi do Pulmão e Coração.
2 passos importantes foram dados para se ter uma ideia geral de como se pode justificar um diagnóstico em Medicina Chinesa. Sabemos reconhecer alguns sintomas de padrões clínicos gerais e outros tantos de órgão. Para terminarmos esta fase falta-nos saber como é que as características dos padrões clínicos se manifestam nos sintomas de órgão.
Por esta altura afirmar que um paciente com tosse, expectoração, frio e lentidão física sofre de um Vazio de Yang do Pulmão já não é suficiente. È importante também sabermos referir que a tosse e a expectoração agravam com frio (seja com aplicações locais de frio seja com tempos frios – daqui a importância da relação dos sintomas com as estações do ano) e melhoram com calor (ou com aplicações locais de calor ou com exposição a tempos quentes). Neste caso melhorámos o nosso diagnóstico para: tosse, expectoração, frio, lentidão física, agravamento dos sintomas com exposição ao frio, aversão ao frio, melhora com calor – preferência pelo calor. Agora o quadro começa a ficar bem pintado. Mas ainda falta aprofundar o estudo dos sintomas de órgão. Já que falamos do Pulmão falemos da expectoração:
A expectoração é um sintoma de órgão. Numa primeira análise diz-nos que qualquer que seja o quadro energético ou a sua causa, o Pulmão é um dos órgãos afectados. No entanto, como já devem ter percebido diferentes padrões clínicos do Pulmão tendem a mostrar pequenas alterações nos sintomas de órgão. Deste modo observam-se variações na apresentação da expectoração como: expectoração clara e fluída, expectoração seca, amarela e pegajosa ou branca pegajosa, etc…
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Umas linhas atrás referimos que o Verão era (e continua a ser espero!) de natureza Yang e o Inverno de natureza Yin. As alterações que se observam no decorrer das diferentes estações explicam-se através da teoria Yin/Yang. Os povos asiáticos desenvolveram outras teorias que também tem aplicação na compreensão dos fenómenos naturais. Uma dessas teorias, importante para a MTC, é a teoria dos Cinco Elementos. Esta teoria descreve os Cinco Elementos ao longo do ano. Assim temos o Elemento Fogo para o Verão, o Elemento Terra para o Fim do Verão, o Elemento Metal para o Outono, o Elemento Água para o Inverno e o Elemento Madeira para a Primavera. A natureza cíclica da teoria Yin/Yang encontra-se inserida nesta correspondência. Na imagem de apresentação mostramos a relação destas duas teorias com as estações do ano.
Olhando para a figura atentamente reparamos numa lógica sequencial que se inicia no elemento Madeira e segue até ao elemento Água que por sua vez gera, novamente, o elemento Madeira. Existem dois ciclos nesta teoria de importância fulcral, para a compreensão do mundo que nos rodeia e o desenvolvimento dos processos patológicos que se manifestam no nosso organismo. O Ciclo de Geração e o Ciclo de dominação.
O Ciclo de Geração tem a ordem que analisámos mais acima: a Madeira gera o Fogo, o Fogo gera a Terra, a Terra gera o Metal, o Metal gera a Água e a Água gera a Madeira, voltando ao inicio do ciclo. Desta forma podemos dizer que a Madeira é a Mãe do Fogo e que o Fogo é a mãe da Terra ou também podemos dizer que a Água é o filho do Metal e que o Metal é o filho da Terra. A função do elemento mãe é nutrir o elemento filho e manter a harmonia do ciclo; este equilíbrio é interrompido quando a mãe se encontra fraca e não consegue nutrir o filho ou quando o filho se encontra fraco e tira demais à mãe tentando, desta forma, compensar a sua fraqueza.
O Ciclo de Dominação segue uma ordem diferente como mostrado na figura. A Madeira domina a Terra, a Terra domina a Água, a Água domina o Fogo, o Fogo domina o Metal e este domina a Madeira. Novamente nasce uma desarmonia que se deve tanto à fraqueza de um elemento como à sua força excessiva. Assim se um elemento se encontra muito forte tende a dominar excessivamente outro elemento. No entanto também se pode dar o caso de contra-dominação: devido à condição de fraqueza do elemento que domina ou devido à condição de força do elemento dominado.
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A cada elemento encontra-se associado um órgão e a sua víscera acoplada. Ao elemento Fogo está associado o órgão Coração; ao elemento terra o Baço/Pâncreas; ao elemento Metal o Pulmão, ao elemento Água o Rim e ao elemento Madeira o Fígado. Outras qualidades se encontram associadas aos 5 elementos. O sabor doce pertence ao elemento Terra, picante ao elemento Metal, salgado ao elemento água. Dentro do espectro das emoções vemos a raiva associada ao elemento Madeira, a alegria no elemento Fogo, a reflexão no elemento terra, a tristeza no elemento Metal e o medo no elemento Água. Podem observar-se outras associações no quadro abaixo. De momento interessa-nos explicar algumas destas associações permitindo ao leitor compreender melhor todo este enredo.
(imagem retirada de http://beijingmuseum.gov.cn/home/index.shtml)
Neste pequeno artigo irei aconselhar o leitor relativamente a 4 pontos de grande utilidade no tratamento das dores no estômago (gastralgias) e das náuseas ou vómitos.
Neste 4 pontos encontramos os pontos 12VC e 21B que são, respectivamente o ponto de alarme do estômago e o ponto de assentimento do estômago. Estes pontos são locais.
Os outros 2 pontos distais são sintomáticos para este tipo de problemas e o leitor pode pressioná-los quando quiser. São eles, o ponto 36E e 6MC.
Os pontos serão apresentados pela ordem com que aparecem na imagem, da esquerda para a direita e de cima para baixo. 21B, 12VC, 6MC e 36E.
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Na perna existem 3 pontos do meridiano do Baço muito usados. São eles os pontos 6BP (Sanyinjiao), 8BP (diji) e 9BP (Yinlingchuan).
O ponto 6BP localiza-se 3 cun directamente acima da proeminência do maléolo interno, 1 dedo atrás do bordo interno da tíbia.
Este ponto pode ser usado para tratar uma série de problemas de entre os quais destacamos:
1 – problemas digestivos como diarreia, dor de estômago, dificuldade em fazer as digestões.<
2 – problemas urogenitais como dor ao urinar, infecções urinárias, impotência.
3 – problemas menstruais como dismenorreia, amenorreia, polimenorreia.
4 – além destes problemas também é muito usado para tratar edemas, em particular, nos membros inferiores.
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Quando falamos de elementos da natureza fazemos referência a uma série de características relativas a plantas, animais, montanhas, rochas, etc… quando os chineses localizavam um ponto numa determinada região do organismo que lhes parecia semelhante a alguma característica extra humana davam-lhe esse nome. Vários exemplos podem ser dados.
O ponto 10P chama-se Yuji e localiza-se no bordo radial do primeiro metacarpo, a ½ distância entre os seus extremos, entre as peles palmar e dorsal. Yuji divide-se em duas partes: Yu que significa peixe e Ji que significa bordo. Este ponto pode traduzir-se como o bordo do peixe, pois os chineses associam a forma do músculo palmar do polegar com um peixe.
O ponto 4IG tem um nome que se deve à sua semelhança com um vale. Encontrando-se no bordo externo do 2º metacarpo, a ½ distância entre os seus extremos recebeu o nome de Hegu. He que se traduz por juntar e Gu que significa vale. O ponto localiza-se numa região semelhante a um vale ou á união de dois vales.Um ponto com um dos nomes mais engraçados pertence ao meridiano do Estômago.
O ponto 35E localizado na depressão que se sente no bordo externo do tendão rotuliano (com o joelho flectido) foi baptizado de Dubi. Du para vitela e Bi para nariz, dá-nos um nariz de vitela. Isto porque quando dobramos o joelho a área do ponto ganha semelhanças a um nariz de vitela.